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Eleições: em ano de disputa, Bolsa aponta para o dinheiro – 25/01/2026 – Marcos de Vasconcellos

Pessoas sentadas em cadeiras assistem a apresentação em ambiente corporativo moderno. Ao fundo, logo iluminado com o texto

As pesquisas de intenção de voto para presidente da República já começaram a pipocar quase diariamente no noticiário e mostram um cenário embaralhado, mas, para a Bolsa de Valores, parece que tanto faz: o caminho tem sido para o alto e avante. Batemos os 178,8 mil pontos do Ibovespa na última sexta-feira (23) —alta de 11,4% em 20 dias.

Quero, aliás, que você se lembre desse momento quando gestores e analistas estiverem apressados relacionando o resultado de uma pesquisa pontual a um movimento (de alta ou baixa) do mercado.

Infelizmente, pelo momento eleitoral, boa parte do debate econômico vai perder o pragmatismo nos próximos meses, em meio a rótulos ideológicos eleitorais. Mas o mercado, como ainda é muito orientado por investidores estrangeiros, tende a precificar a realidade mais do que a boa vontade com um ou outro candidato.

Dito isso, o dinheiro dos gringos chegou com força aqui, para sustentar a alta da Bolsa, basicamente porque fugiu dos Estados Unidos para tomar risco nos “emergentes”. E o setor elétrico disparou na frente, com esse apetite de investidores por Brasil, oferecendo longos contratos e boas perspectivas de receber investimentos nos próximos anos.

Um levantamento dos ETFs (fundos que replicam índices de mercado) com melhor desempenho em 2025, feito pela própria B3 (Bolsa brasileira) aponta o UTLL11 como grande campeão do ano. O ETF, que reúne ações de empresas do setor de utilidade pública, principalmente ligadas a energia elétrica, registrou uma alta de 63%, quase o dobro do Ibovespa, com seus já chamativos 34% do ano passado.

A realidade é que o Brasil bateu recorde de concessões de infraestrutura no governo Lula 3, como mostrou a reportagem da Folha. Desde a Lei de Concessões, em 1995, nunca se concedeu tanto. Um governo frequentemente rotulado como estatizante liderou o maior ciclo de transferência de ativos operacionais à iniciativa privada. Isso falando de portos, rodovias e aeroportos.

No caso da energia elétrica, a renovação das concessões não veio sem polêmica, mas aconteceu. Houve disputa jurídica, pressão política, questionamentos sobre multas, falhas na prestação de serviço e ações na Justiça. Ainda assim, o desenho final foi de contratos renovados por até 30 anos, com novas exigências de investimento e metas.

O Plano Nacional de Energia 2055 —elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética, vinculada ao Ministério de Minas e Energia, no ano passado— dá a entender que a “desestatização”, como falava o time econômico do governo Bolsonaro, é a alternativa viável para sustentar a transição energética, ampliar as redes, digitalizar o sistema e atender a uma demanda que deve triplicar até 2050.

Pelo documento, o Estado brasileiro não tem capacidade fiscal para bancar o investimento necessário. Sem capital privado, a conta não fecha.

Os grandes investidores enxergaram no setor elétrico um espaço para comprar empresas com concessões longas, receitas reguladas, Capex (investimento em construção, ampliação e modernização) reconhecido —e risco político menor do que se imagina.

Enquanto o debate eleitoral se perde em rótulos, a Bolsa tenta antecipar onde estão os contratos, o dinheiro e o fluxo de caixa. Na política e na economia, o Brasil tem colhido os frutos de funcionar à base de concessões, em todos os seus sentidos.



Fonte ==> Folha SP

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