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Prédios residenciais são moda no triângulo histórico de SP – 31/07/2026 – Andanças na metrópole

Prédios residenciais são moda no triângulo histórico de SP - 31/07/2026 - Andanças na metrópole

O centro de São Paulo tem dois lados, separados pelo vale do Anhangabaú: o novo e o velho. O primeiro é cortado pela rua Barão de Itapetininga e ocupa o espaço entre as praças da República e Ramos de Azevedo, onde fica o Theatro Municipal. O outro inclui o chamado triângulo histórico e se estende das ruas Líbero Badaró e Boa Vista até a praça da Sé.

Há uma diferença importante entre eles. O centro novo passou a atrair milhares de moradores, grande parte deles jovens, para seus prédios antigos ou retrofitados. Hoje, é palco de uma intensa vida social e cultural. O velho ficou mais parado, mantendo seu perfil comercial e administrativo, com raros edifícios residenciais e pouquíssima circulação de pessoas a partir das 18h e durante a noite.

Mas essa situação começa a mudar e a tendência é que os dois lados fiquem parecidos e integrados a médio prazo. O objetivo é fazer do centro velho, com seus longos calçadões, atualmente sendo requalificados, um lugar de permanência e não só de passagem.

Neste momento, existem pelo menos seis projetos de instalação de condomínios habitacionais e de uso misto na região, alguns mais avançados, outros em fase preliminar. Dois deles são os edifícios Vera, na rua Álvares Penteado, que será entregue em outubro, e JB 104, na rua José Bonifácio, ambos da desenvolvedora e operadora de projetos imobiliários Citas.

Há também o H. Lara, na praça Antônio Prado, cujas obras do retrofit já se iniciaram, e o Tebas, no largo da Misericórdia, desenvolvido pela incorporadora Somauma, previsto para ser entregue até maio do próximo ano.

Além disso, vários proprietários de prédios comerciais na área estão tentando aprovar junto à prefeitura projetos de conversão para uso residencial. O governo municipal tem estimulado essa transformação dos imóveis com subvenções, por meio do programa Requalifica Centro.

Os dez andares do Vera serão totalmente ocupados por unidades habitacionais. Até 2024, o imóvel funcionava como residência artística e espaço de exposições. Agora vai ganhar 72 apartamentos que serão alugados. “O nosso modelo de negócio é locação acessível”, diz Isadora Rebouças, fundadora da Citas. “Para atrair mais pessoas para essa região, você precisa do incentivo de preço.” O preço médio do aluguel ficará em R$ 1.890.

O JB 104, cujas obras de retrofit começam na próxima semana, segue o mesmo modelo e tem a peculiaridade de ser destinado prioritariamente para mulheres chefes de família com renda de até seis salários mínimos. Serão 62 apartamentos, metade deles com dois dormitórios.

A Citas tem mais dois projetos em gestação na região, na rua do Tesouro números 47 e 23. Esse último é um prédio de Ramos de Azevedo. “As pessoas têm que abandonar essa ideia de que essa parte do centro é perigosa. É menos perigosa do que Pinheiros”, diz Rebouças. “Num horizonte de três anos, essa área vai estar completamente diferente.”

Antes ocupado por salas comerciais e com 60% de ociosidade, o H. Lara é um edifício de 1959 erguido pela família Toledo Lara, na época uma das maiores proprietárias de imóveis no centro. A construção, cujo projeto é da Planta Inc., vai ganhar 352 apartamentos em seus 23 andares. O retrofit foi aprovado pelo programa Requalifica Centro e recebeu R$ 4,5 milhões de subvenção econômica.

Já o Tebas, nome dado em homenagem a Joaquim Pinto de Almeida, mestre da cantaria no período colonial, terá seu lançamento oficial daqui a 30 dias. O prédio de dez andares, bem perto do espaço cultural Casa de Francisca, terá uso misto: o 1⁠º e o 2⁠º andares serão destinados à gastronomia e às artes, enquanto os demais, com um conjunto de 43 apartamentos, serão residenciais, incluindo a cobertura. As unidades habitacionais têm 33 m² e 42 m² e custarão, respectivamente, R$ 450 mil e R$ 620 mil.

“O centro velho está alguns anos atrás do novo”, diz o arquiteto Marcelo Falcão, sócio da Somauma. “Mas a gente acredita muito nessa região do triângulo histórico porque ela ainda oferece uma grande quantidade de imóveis vazios e subutilizados.”



Fonte ==> Folha SP

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