O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse neste domingo (23) ter sugerido à Caixa Econômica Federal (CEF) a criação de uma linha de renegociação de dívidas para clubes de futebol. O petista disse que os times de futebol pagam salários muito altos para a realidade brasileira e estão todos quebrados por “má administração”.
A solução imitaria os mesmos moldes do programa Desenrola, voltado para a renegociação de pessoas físicas, e viria como alternativa aos patrocínios de bets. A CEF já financiou o estádio do Sport Club Corinthians Paulista e atualmente é uma credora importante do clube de coração do presidente (saiba mais abaixo).
VEJA TAMBÉM:
-
Lula troca debate na Band por entrevista na Record
-

Lula recupera dedo em vídeo republicado por membros do PT
“Estes dias eu falei para a Caixa Econômica: ‘vamos fazer um Desenrola para os clubes de futebol, estão todos quebrados. É má administração. Você está pagando salário que não é condizente com a realidade deste país. Sabe? Vamos ser francos. Então você tem bet financiando, você tem um monte de gente, até site de pornografia financiando time de futebol, como é que a gente vai permitir isso?’”, disse Lula em entrevista à Record TV.
A situação do Corinthians, que notoriamente é o clube do coração do presidente, também foi abordada: “Tenho dó do Corinthians, não está podendo comprar jogador bom, eles não chutam pro gol”, lamentou o presidente.
A entrevista concedida pelo presidente da República ao canal do bispo Edir Macedo concorreu diretamente com o tradicional primeiro debate eleitoral da Band TV, ao qual apenas três candidatos a presidente compareceram – nenhum com mais de 5% de intenção de voto do eleitorado.
Corinthians deve à Caixa
Uma parte importante do passivo do Sport Club Corinthians Paulista é de dívidas exatamente com a CEF, que financiou em R$ 400 milhões o estádio Neo Química Arena, em Itaquera (bairro de São Paulo).
Para construir o estádio que inaugurou a Copa do Mundo de 2014, o Corinthians contou com um empréstimo de R$ 400 milhões da Caixa, montante do qual ainda restam R$ 642 milhões a pagar. O clube contou com recursos do BNDES do programa ProCopa Arenas, que financiou estádios em todo o país para o torneio internacional.
O dinheiro foi destinado originalmente à Odebrecht, a empreiteira responsável pela construção do estádio, com prazo de 15 anos. O custo da obra mais que dobrou, alcançando R$ 1 bilhão. Com a Operação Lava Jato, a Odebrecht, outrora a mais importante incorporadora da América Latina, deixou de honrar compromissos, passando a dívida para o Corinthians.
O atual acordo de renegociação da dívida prevê amortizações com juros anuais de 2%, além da inflação, até 2041. Correm negociações para que os naming rights da arena passem à Caixa em troca de parte da dívida.
Fonte ==> UOL