Search
Close this search box.
Search
Close this search box.

Brasil terá fábrica de curativo de pele de tilápia no Ceará em 2026

Brasil terá fábrica de curativo de pele de tilápia no Ceará em 2026

O interior do Ceará receberá a primeira unidade industrial do Brasil dedicada à produção de curativos biológicos feitos com pele de tilápia. Localizada em Jaguaribara, a fábrica conta com um investimento inicial de R$ 52 milhões, unindo recursos públicos e iniciativa privada. O projeto visa transformar um descarte da pesca em um avançado material médico para o tratamento de queimados.

Como esse novo curativo ajuda na recuperação de pacientes com queimaduras?

O material funciona como uma barreira protetora que adere à ferida e permanece no local durante todo o processo de cicatrização. Diferente das gazes comuns, que precisam ser trocadas quase diariamente — um processo extremamente doloroso —, a pele de tilápia reduz drasticamente a necessidade de trocas. Em casos de queimaduras de segundo grau, observou-se que apenas três substituições são necessárias em 20 dias. Isso ocorre porque o produto é rico em colágeno tipo 1, muito parecido com o humano, o que ajuda o corpo a fechar a lesão com menos dor e em um tempo ligeiramente menor.

O que é o processo de liofilização e por que ele é importante para o produto?

A liofilização é uma técnica de desidratação onde a água da pele de tilápia é retirada por sublimação, passando do estado sólido para o gasoso sem virar líquido. Para o público leigo, imagine que o produto é ‘congelado a vácuo’. Isso é essencial porque permite que o curativo seja guardado em temperatura ambiente por longos períodos, sem estragar ou precisar de geladeiras. Além dessa etapa, o material passa por limpeza profunda e radiação gama para eliminar qualquer vírus ou bactéria, garantindo total segurança para o uso em hospitais e clínicas de todo o país.

Qual será o impacto econômico e social dessa fábrica no Sistema Único de Saúde?

A produção em escala industrial tem potencial para reduzir em até 50% os custos do tratamento de queimados para o SUS. Essa economia acontece porque o curativo diminui o tempo de internação e exige menos equipe médica dedicada a trocas constantes. Além disso, a fábrica em Jaguaribara aproveitará a grande oferta de matéria-prima do Vale do Jaguaribe, o maior produtor de tilápia do estado. O empreendimento vai gerar novos empregos especializados para químicos, biólogos e engenheiros, transformando o que antes era lixo da indústria de alimentos em um produto de alto valor.