Imagine entrar em uma máquina, desaparecer e surgir, no mesmo instante, do outro lado do planeta. Esse é o teletransporte dos filmes, mas não é o que os cientistas conseguem fazer de verdade.
O teletransporte que existe nos laboratórios é chamado de teletransporte quântico. Ele não transporta pessoas, objetos ou partículas de um lugar para outro. O que muda de endereço é uma informação muito especial chamada estado quântico.
Esse estado reúne características de uma partícula, como se fosse uma receita que ensina outra partícula a ficar exatamente como a primeira estava. Para isso, os cientistas usam um fenômeno chamado emaranhamento quântico. Duas partículas emaranhadas compartilham uma ligação especial, mesmo quando estão afastadas.
Vamos imaginar que Alice tenha uma dessas partículas e Bob tenha a outra. Alice também possui uma terceira partícula, cujo estado deseja enviar.
Ela faz uma medição envolvendo as partículas que estão com ela e depois manda o resultado para Bob por um meio comum, como um cabo, uma mensagem de rádio ou a internet.
Com essa informação, Bob realiza uma operação em sua partícula, que passa a ter o mesmo estado quântico da partícula original. A partícula de Alice não voou até Bob e não atravessou paredes. Ela permaneceu onde estava, mas seu estado original foi perdido durante a medição.
Por isso, o teletransporte quântico não funciona como uma máquina de cópias. Também não permite enviar mensagens mais rápido que a luz, porque Bob precisa esperar pela informação enviada de maneira comum para terminar o processo.
A ideia foi apresentada por um grupo de cientistas em 1993 e demonstrada experimentalmente poucos anos depois com partículas de luz chamadas fótons. Desde então, pesquisadores já teleportaram estados quânticos usando diferentes partículas e por grandes distâncias.
Isso não significa que estamos perto de teleportar uma pessoa. O corpo humano é formado por uma quantidade gigantesca de átomos, e seria necessário conhecer e transferir a informação quântica de todos eles com uma precisão que está muito além da tecnologia atual.
Mesmo sem transportar seres humanos, essa descoberta pode ser muito útil. No futuro, ela poderá ajudar computadores quânticos a trocar informações e contribuir para a criação de redes quânticas mais seguras.
Portanto, o teletransporte existe, mas de um jeito bem diferente daquele que aparece no cinema. A matéria não desaparece em um ponto para reaparecer em outro. É a informação quântica que passa de uma partícula para outra.
Fonte ==> Folha SP