Search
Close this search box.
Search
Close this search box.

O desaparecimento do trabalho invisível

Leandro Pereira

Há uma parcela importante do trabalho que só percebemos quando deixa de ser feita.

Uma conversa que evita um conflito. Uma decisão tomada antes que o problema ganhe proporção. Um ajuste discreto na operação. A experiência de alguém que reconhece um sinal ainda ausente dos indicadores.

Nada disso costuma ganhar destaque nos relatórios de desempenho.

Nossa maneira de avaliar resultados privilegia aquilo que conseguimos observar, registrar e quantificar. É compreensível. As organizações precisam de evidências para orientar decisões.

Mas existe uma dimensão do trabalho cujo valor reside precisamente naquilo que impediu de acontecer.

Como medir uma crise evitada? Que valor atribuir a uma decisão que tornou desnecessárias outras dez? Como reconhecer a contribuição de alguém que mantém um sistema funcionando sem que sua intervenção se torne visível?

A economia conhece uma dificuldade semelhante. Aquilo que não aconteceu raramente deixa registros suficientes para demonstrar o que teria acontecido em sua ausência.

No cotidiano das organizações, essa invisibilidade produz uma percepção incompleta da contribuição humana.

A inteligência artificial acrescenta uma camada interessante ao fenômeno. À medida que tarefas se tornam automatizadas, parte do trabalho humano se desloca para atividades menos evidentes: interpretar exceções, estabelecer conexões, avaliar consequências e exercer discernimento diante daquilo que os modelos ainda não conseguem compreender integralmente.

O Executivo Nexialista reconhece nessa dinâmica algo familiar. Sistemas complexos não funcionam apenas pela excelência de seus componentes, mas pela qualidade das relações que os conectam.

Existe inteligência na execução de uma tarefa. Existe também na capacidade de perceber que determinada tarefa já não precisa existir.

Uma organização pode contabilizar milhares de atividades realizadas e permanecer incapaz de reconhecer o valor de uma única intervenção que evitou semanas de retrabalho.

O curioso é que, quanto mais amadurece um sistema, menos algumas de suas competências precisam aparecer.

A experiência antecipa. A coordenação reduz atritos. O conhecimento acumulado elimina etapas desnecessárias.

Parte da excelência organizacional se manifesta justamente pela ausência de acontecimentos.

Há trabalhos que deixam entregas.

Outros deixam condições para que tudo continue funcionando.

E estes últimos raramente fazem barulho.

Relacionados

Principais notícias

The New York Times elenca as 100 melhores séries do século 21
Jornalista denuncia perseguição e diz viver escalada de pressão após críticas ao poder público em Barcarena
De Breves à Assembleia Legislativa: a trajetória de Luiz Rebelo e os desafios do desenvolvimento do Pará

Leia mais

Modelo mostra marcas pelo corpo após ficar três dias desaparecida
Fã-clube de Daniela Mercury organiza caronas solidárias após faltar ônibus em Salvador
Lula diz que está confiante em uma virada na votação de domingo (25)
Lula celebra sucesso do 'Exército de Lula' e ironiza que Trump está preocupado
Dólar dispara e Bolsa cai com empate técnico entre Flávio e Lula e avanço do fim da escala 6x1
Dólar fecha abaixo de R$ 5 e recua 1,58% na semana
Pesquisa aponta que solidão e exaustão ampliam abstenção nas urnas
Pedir votos e fazer propaganda: saiba o que é proibido no dia de votar
INSS devolve R$ 3,6 bilhões a segurados que contestaram fraude, e 1,6 milhão esperam valores
INSS devolve R$ 3,6 bilhões a segurados que contestaram fraude, e 1,6 milhão esperam valores
Grupos armados reivindicam ataques contra o regime do Irã
Grupos armados reivindicam ataques contra o regime do Irã