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Entrevista de Bolsonaro a Leo Dias promove entretenimento – 03/03/2025 – Encaminhado com Frequência

A imagem mostra duas pessoas sentadas em cadeiras confortáveis em um ambiente interno. À esquerda, um homem sorridente, vestido com uma camiseta escura e calças, está relaxado com as pernas cruzadas. À direita, outro homem, também sorridente, usa uma camisa de manga longa escura e está segurando um papel, parecendo animado. Entre eles, há duas mesas pequenas com copos de água. Ao fundo, uma obra de arte com formas geométricas em tons de azul e amarelo.

Na análise em mais de 100 mil grupos públicos de WhatsApp e Telegram realizada pela Palver, destacou-se a divulgação de vídeos e mensagens discutindo trechos da entrevista do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao apresentador Leo Dias.

A conversa rendeu cortes que repercutiram tanto nos grupos de direita quanto nos de esquerda. A estratégia de comunicação de Bolsonaro aposta na ampla disseminação de sua linha narrativa sobre as acusações que recaem sobre si.

Na última terça-feira (25), o ex-presidente concedeu uma entrevista ao vivo a Leo Dias. Transmitida no canal do apresentador no YouTube, a conversa durou mais de duas horas e cobriu variados temas, desde a vida pessoal até a expectativa de prisão de Bolsonaro.

Ao longo da entrevista, Leo Dias anunciou que a transmissão quebrou o recorde de audiência do canal, com mais de 700 mil pessoas assistindo ao vivo, e que já conta com mais de 2 milhões de visualizações ao todo. Esses números não foram alcançados ao acaso.

Desde o dia anterior à entrevista, mensagens informando sobre a entrevista circularam em diversos grupos bolsonaristas, incluindo um vídeo do deputado federal Mario Frias (PL-SP) que foi compartilhado nos grupos de apoiadores do senador Cleitinho (Republicanos-MG), pedindo aos seguidores para que acompanhassem a conversa.

Nos grupos de direita do WhatsApp, a decisão de participar da entrevista foi bastante discutida, prevalecendo o argumento de que era importante para que o ex-presidente pudesse falar com um público “fora da bolha”. Nos grupos de esquerda, circularam cortes em tom de sátira sobre o fato de Bolsonaro ter perdido as eleições e estar inelegível.

Bolsonaro expôs sua versão sobre a denúncia ofertada pela PGR e reforçou que não estava no Brasil em 8 de janeiro e, portanto, não poderia ter cometido os crimes pelos quais está sendo acusado. Essa linha narrativa é a mesma que já vinha sendo trabalhada nos grupos públicos de mensageria.

O ex-presidente aproveitou a ampla audiência para lançar diversas candidaturas ao Senado Federal para as eleições de 2026. No dia seguinte ao da entrevista, a lista com os nomes apontados passou a circular nos grupos de WhatsApp e Telegram analisados pela Palver.

A participação de Bolsonaro se mostrou uma estratégia interessante. Ao levar a política ao campo do entretenimento, conseguiu transmitir sua mensagem com leveza e espontaneidade sem deixar de discutir assuntos sérios, como é o caso de sua possível prisão. O ex-presidente entende a importância disso desde quando participava dos programas de entretenimento de Luciana Gimenez.

Antes do final da entrevista, Leo Dias informou que também convidou o presidente Lula para uma conversa no mesmo formato. Nos grupos de WhatsApp, circula um vídeo do deputado André Janones (Avante-MG) no qual critica a comunicação de Lula usando como referência positiva a entrevista de Bolsonaro.

Contudo, diferentemente de Bolsonaro, Lula tem muito a perder. Como é governo, precisa responder às demandas da população, alinhar as expectativas sobre os resultados e, principalmente, tentar reverter a tendência de queda de popularidade. Além disso, precisará estar pronto para responder perguntas sobre Putin, Trump e outros temas sensíveis na atual conjuntura política global. Isso exigirá de Lula um preparo muito maior caso aceite conceder a entrevista.

Portanto, a estratégia que se mostra positiva a Bolsonaro pode não funcionar para Lula. Isso não significa que esse tipo de aparição seja um erro, mas que é importante que o presidente esteja preparado para sofrer uma cobrança mais intensa em um cenário que exige mais responsabilidade nas respostas. Estabelecer um canal direto com a população poderia ser uma boa forma de fortalecer a credibilidade e ampliar a voz do presidente.



Fonte ==> Folha SP

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