Search
Close this search box.
Search
Close this search box.

Condenação de Le Pen tensiona a política francesa – 01/04/2025 – Opinião

A imagem mostra uma mulher com cabelo loiro e liso, vestindo um casaco azul, caminhando em meio a um grupo de pessoas. Algumas pessoas ao fundo estão segurando celulares, aparentemente tirando fotos. O ambiente parece ser urbano, com uma atmosfera de agitação.

O cenário político francês passa por mais uma turbulência. Marine Le Pen, deputada e pré-candidata à presidência do país nas eleições de 2027, foi condenada por desvio de verbas do Parlamento Europeu, onde foi eurodeputada entre 2004 e 2017, para o seu partido, a Reunião Nacional (RN).

A pena inclui quatro anos de prisão (dos quais dois estão suspensos e dois serão cumpridos em prisão domiciliar), multa de € 100 mil (R$ 624 mil) e proibição de concorrer a cargos públicos por cinco anos. Mais oito eurodeputados da RN também foram condenados no caso. No total, estima-se um desfalque de cerca de € 2,9 milhões (R$ 18 milhões).

Ainda cabe recurso da defesa, e, se lograr vitória, ela poderá participar do pleito, para o qual é favorita nas pesquisas. Mesmo assim, é um baque para a RN, sigla de ultradireita que detém o maior número de assentos na Assembleia Nacional —123 de 577.

A legenda vinha avançando de maneira rápida também no panorama continental. Em junho de 2024, o grupo político do qual faz parte no Parlamento Europeu, o Identidade e Democracia (ID), passou de 49 cadeiras para para 84 nas eleições da entidade —em julho, o ID mudou de nome para Patriotas pela Europa (PfE). Já a coligação Renew, que conta com o partido de Emmanuel Macron, o Renascimento, perdeu 21 assentos e ficou com 77.

Com o ascensão da ultradireita, o presidente francês dissolveu a Assembleia Nacional e convocou novo pleito. Nele, a coalização de Macron obteve 168 assentos, sendo 102 para o seu partido; RN e aliados, 143, com 123 só da legenda de Le Pen. Na frente da disputa, com 182, está a Nova Frente Popular (NFP), que une extremistas e moderados de esquerda.

Ainda é incerto, de todo modo, o impacto da condenação de Le Pen para a RN. Jordan Bardella, líder da sigla, é o mais cotado para substituí-la, se necessário.

Jovem e ativo nas redes sociais, tende a agradar às novas gerações, mas críticos apontam inexperiência e parco conhecimento sobre administração pública.

Le Pen e sua sigla afirmam que se trata de perseguição política, versão repetida por Donald Trump e Elon Musk; os governos russo, turco e italiano também manifestaram apoio a ela.

Países autoritários tendem a usar o Poder Judiciário para abafar oposicionistas. Esse não é, contudo, o caso da França, uma democracia liberal consolidada.

Num contexto europeu e global já tenso, os franceses correm o risco de ver acirrados embates ideológicos que não raro aviltam o debate político.

editoriais@grupofolha.com.br



Fonte ==> Folha SP

Relacionados

Principais notícias

O Crime Quase Perfeito: A Fraude de Diplomas que Engana o Brasil
MP recomenda suspensão do IPTU em Barra de São Miguel após aumentos de até 215%
Cileide Moussallem: Quando propósito, fé e coragem se transformam em liderança

Leia mais

Israel anuncia morte de líder do Conselho Supremo de Segurança iraniano
Homem estuprado pela mãe teme que o irmão possa ser seu filho
Bolsas da Europa recuam com incertezas da guerra e em semana de decisões de grandes BCs
Dólar recua com alívio em petróleo e esforços para liberar Estreito de Ormuz
Notícias ao Minuto
Mãe de Thiago Silva morre cinco dias após jogador perder o sogro
Alckmin: candidaturas de Haddad e Tebet são muito bem-vindas
Alckmin: candidaturas de Haddad e Tebet são muito bem-vindas
EUA propõem ao Brasil "exportação" de criminosos estrangeiros
EUA propõem ao Brasil "exportação" de criminosos estrangeiros
As melhores e as piores bebidas para os rins, segundo nutricionista
Doença renal avança no país e expõe gargalos de acesso à diagnóstico precoce e à diálise