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O mundo de Trump: tarifas e partilha com Rússia e China – 03/04/2025 – Marcos Augusto Gonçalves

Um homem com cabelo loiro e pele clara está sentado em uma mesa, segurando um documento em uma mão e uma caneta na outra. Ele está vestido com um terno escuro e uma gravata vermelha. Ao fundo, há bandeiras dos Estados Unidos penduradas em uma parede. O homem parece sério e está olhando para a câmera

Ao mesmo tempo em que ataca a ordem liberal com investidas variadas, entre as quais o recém-anunciado tarifaço para transações comerciais, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vai dando sinais de que, na nova ordem mundial que pretende presidir, os interesses americanos estão em primeiro lugar, mas não a ponto de desrespeitar as zonas de influência das grandes potências.

Sob a crença de que o sistema internacional é injusto e prejudica os americanos, o presidente republicano adotou taxações em série, inspirando previsões pouco animadoras de economistas e governos de diversas tendências.

O quadro só se agravará com as reações internacionais. A União Europeia, posta de lado na geopolítica, colocou na mesa uma escalada de retaliações, que mira bancos e big techs dos EUA. A China, uma das mais atingidas, também acena com respostas significativas.

O Brasil, com comércio modesto, foi atingido com barreiras a seus produtos, porém no “piso” de 10%. Ao que parece, dentro do cenário, é um patamar administrável. Legislação de reciprocidade, contudo, foi aprovada pelo Congresso. Como e se será acionada não se sabe. Cabe ao governo reagir de maneira racional, o mais responsável e eficaz possível, como vem fazendo até aqui, aliás.

Paralelamente às barreiras aduaneiras, Trump lança ameaças ao Canadá e Panamá e diz que vai se apoderar da Groenlândia. O populista autocrático apresenta-se, em outro sentido, como defensor de um acordo pró-Rússia no caso da Ucrânia e não parece empenhado em criar problemas para a China quanto a uma possível tomada definitiva de Taiwan.

Para completar este quadro geopolítico tipo “cada autocrata cuida de seu quintal”, sugere a limpeza de Gaza e chancela a colonização da Cisjordânia por Israel. Se o suporte incondicional dos EUA a governos israelenses não é uma novidade, vê-se agora, na prática, o pleno abandono da ideia de dois Estados em favor da imposição israelense do rio ao mar —e a perspectiva de um acordão com a Arábia Saudita e outros países árabes.

Eis a nova ordem mundial de Trump. Tarifas ameaçadoras e simultaneamente a partilha de zonas de influência com Rússia e China, enquanto a Europa, abandonada, debate-se numa posição difícil.

Que tais ataques ao livre comércio, às instituições multilaterais, à ordem liberal e à democracia partam dos EUA é uma realidade nova a desafiar a previsibilidade e a estabilidade já precária de um mundo que tem perdido seus parâmetros.

Entre tantas incertezas não parece haver dúvida de que o fantasma do autoritarismo, competitivo ou não, ronda as democracias sob a égide desse governo hostil e irresponsável. É espantoso que esse conjunto de providências chegue ao auge num propalado “dia da libertação”.

A eleição de Trump foi saudada por expoentes da direita internacional —caso do governador bolsonarista de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que postou imagem constrangedora usando um boné “Maga”. A performance do eleito nos EUA parece agora de difícil defesa mesmo entre simpatizantes ideológicos. Como o nacionalismo dos movimentos populistas de ultradireita apoiaria decisões contrárias a seus países, economia e população? A roleta desse novo mundo está em movimento e não se sabe aonde vai parar.



Fonte ==> Folha SP

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