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Entre o Brasil e o exterior, a maquiagem de noiva abandona padrões e aposta na identidade

Naturalidade, técnica e leitura cultural sob a ótica do maquiador Kantovick, que atua entre diferentes mercados e tradições

São Paulo, fevereiro de 2026 – Casar deixou de ser apenas um ritual tradicional para se tornar uma experiência estética profundamente conectada ao estilo de vida, ao destino escolhido e à identidade da noiva. Entre cerimônias realizadas no Brasil e casamentos no exterior, especialmente na Europa e nos Estados Unidos, a maquiagem de noiva passa por uma transformação significativa, marcada pelo abandono de padrões únicos e pela valorização da individualidade.

Para o maquiador e penteadista de noivas Kantovick, brasileiro que atua entre o Brasil, Portugal e outros mercados internacionais, hoje não é mais possível trabalhar com uma única técnica de pele e aplicá-la a todas as noivas. Segundo ele, as diferenças culturais, climáticas e comportamentais influenciam diretamente a forma como a maquiagem é pensada e executada.

“Hoje eu não consigo trabalhar uma única técnica de pele para todas as noivas. Existem noivas que buscam uma maquiagem mais tradicional, com alta cobertura e efeitos de luz e sombra bem aprofundados, como é comum entre venezuelanas e americanas de regiões como a Flórida e o Texas”, explica.

Esse estilo mais clássico, muitas vezes chamado de reboco, aposta em uma pele bem construída, com correções completas, contornos definidos e olhos marcantes, pensados para impacto visual e fotografia. Ainda assim, ele divide espaço com uma tendência cada vez mais forte no mercado internacional, especialmente entre noivas alinhadas às tendências de moda e comportamento ditadas pelas redes sociais.

Entre essas tendências, ganham destaque as chamadas peles “butter”, com acabamento extremamente hidratado, glow e luminosidade que remete a uma pele bem cuidada, com o skincare em dia, mais do que a uma maquiagem carregada. “Esse visual é muito pedido por noivas de Nova York e também aparece em alguns casos no Reino Unido”, afirma Kantovick.

No Brasil, os dois cenários coexistem. Há noivas que ainda buscam o tradicional reboco, com produtos de alta cobertura, jogos de luz e sombra, contornos e corretivos bem marcados. Ao mesmo tempo, cresce a demanda pelo soft glam, uma estética mais suave, que valoriza peles naturalmente bonitas, muitas vezes resultado de investimentos constantes em procedimentos estéticos. “São noivas que praticamente não precisam de cobertura. A maquiagem entra apenas para uniformizar e realçar o que já existe”, observa o maquiador.

Quando a escolha é seguir a tendência mais atual, a lógica da maquiagem também se transforma. As peles se tornam mais leves, os contornos são deixados de lado e as bochechas ganham destaque apenas com o blush, geralmente em tons rosados. Em alguns casos, surge o que Kantovick chama de “Brazilian flip-flop”, uma referência bem-humorada ao uso mais exagerado do blush, característica do estilo brasileiro de se expressar visualmente.

Os olhos, nesse contexto, ganham mais contraste, mas sem pesar. Tons neutros e esfumados estratégicos substituem delineados marcados e construções rígidas, reforçando a ideia de uma maquiagem que acompanha o rosto, o vestido e o ambiente da cerimônia.

Kantovick

Para Kantovick, mais importante do que seguir tendências é compreender três princípios fundamentais no atendimento internacional: a origem da noiva, o estilo da cerimônia e os gostos pessoais de cada mulher. Essa leitura se torna ainda mais essencial diante da diversidade cultural dos casamentos que atende. O maquiador já trabalhou com noivas de cerimônias católicas, judaicas, hindus e, em alguns casos, muçulmanas, cada uma com códigos, símbolos e expectativas muito específicas.

“A maquiagem internacional exige sensibilidade cultural e escuta. Não é sobre impor técnica ou moda, mas sobre entender o contexto daquela noiva e daquele ritual”, afirma.

Essa pluralidade de referências reforça uma mudança importante no mercado de noivas. A maquiagem deixa de ser uma transformação padronizada e passa a ser uma construção personalizada, respeitando identidade, cultura e cenário. “No fim, maquiar uma noiva não é sobre transformar, é sobre revelar. Quando isso acontece, não importa o país, o resultado sempre emociona”, conclui Kantovick

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