Nesta segunda-feira (9), o Ministério do Turismo lançou uma pesquisa para perguntar a pessoas neurodivergentes, seus cuidadores e quem atua com turismo sobre demandas e boas práticas do setor para o acolhimento de neurodivergentes.
O formulário online, que estará disponível até 28 de fevereiro, busca informações sobre os principais desafios hoje existentes em viagens e passeios de pessoas neurodivergentes, como dificuldade do uso do transporte público, receio de fuga dos espaços, falta de flexibilidade e medo de sofrer preconceito. Também pergunta sobre a importância de garantir previsibilidade (com materiais visuais e em caso de mudanças de roteiro), sobre a frequência de incômodos sensoriais (luz, sons e toque) e sobre a necessidade de garantir espaços para regulação emocional.
“A necessidade [da pesquisa] surge de uma lacuna histórica entre acessibilidade física e acessibilidade cognitiva e sensorial”, informou à coluna Carolina Fávero, coordenadora-geral de turismo sustentável e responsável do ministério.
“Embora o debate sobre inclusão tenha avançado, ele ainda é majoritariamente centrado em mobilidade reduzida e deficiência física. Pessoas neurodivergentes, como autistas, TDAH, pessoas com dislexia, transtornos sensoriais, entre outras, permanecem sub-representadas em diagnósticos de experiência do usuário, especialmente no turismo e cultura. É importante ouvir o público-alvo para que a ação atenda efetivamente as suas necessidades.”
Segundo o governo, os resultados da pesquisa vão embasar a produção de um guia de boas práticas. Fávero afirma que, com o guia, o governo busca ter “um documento robusto e direcionado para cada tipo de serviço turístico, atendendo a especificidades, com a missão de promover o Brasil como um destino turístico acessível e inclusivo”.
A Pesquisa Nacional sobre Turismo Acessível para Pessoas Neurodivergentes foi feita em parceria com a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e o projeto Mais Acesso.
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Fonte ==> Folha SP