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A experiência pode estar mentindo para você

Leandro Pereira

Existe um paradoxo pouco discutido na liderança.

As organizações valorizam experiência porque ela reduz incerteza.

E, de fato, durante muito tempo ela funciona exatamente assim.

Experiência acelera decisões.
Evita erros conhecidos.
Ajuda a reconhecer padrões.

O problema surge quando o ambiente muda.

Porque experiência não é apenas conhecimento acumulado.

É também um conjunto de premissas acumuladas.

E premissas envelhecem.

O que funcionou ontem pode não funcionar amanhã.

O que trouxe uma empresa até aqui pode não ser o que a levará ao próximo estágio.

Ainda assim, líderes experientes frequentemente cometem o mesmo erro:

confiam mais na familiaridade do passado do que nos sinais do presente.

Não por arrogância.

Mas porque a experiência produz algo sedutor:

confiança.

E confiança excessiva pode se transformar em um dos maiores inimigos da adaptação.

Clayton Christensen observou esse fenômeno ao estudar empresas líderes que perderam espaço para concorrentes menores e aparentemente menos preparados.

Na maioria dos casos, não faltavam recursos.

Não faltavam talentos.

Não faltava inteligência.

Faltava disposição para questionar aquilo que havia funcionado durante décadas.

O maior concorrente de uma boa ideia raramente é uma ideia ruim.

Normalmente é uma ideia antiga que já foi bem-sucedida.

Esse é um dos desafios centrais da liderança contemporânea.

Não aprender.

Desaprender.

Ter coragem para revisar crenças que um dia produziram resultado.

Questionar modelos que parecem intocáveis.

Aceitar que o mercado não tem compromisso com o nosso histórico de acertos.

O Executivo Nexialista compreende essa tensão.

Valoriza a experiência.

Mas não se submete a ela.

Entende que repertório é um ativo estratégico.

Mas também sabe que repertório pode se transformar em filtro.

E filtros, quando não são atualizados, começam a esconder exatamente aquilo que mais precisa ser visto.

Talvez a pergunta mais perigosa dentro de uma organização não seja:

“O que estamos fazendo de errado?”

Mas sim:

“O que continuamos fazendo certo em um mundo que já mudou?”

O futuro raramente é bloqueado pela ausência de conhecimento.

Com mais frequência, ele é bloqueado pelo excesso de apego ao conhecimento que construiu o passado.

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