São Paulo foi palco, nesta semana, de um dos maiores encontros de Odontologia do mundo. Realizado no CIOSP, no Expo Center Norte, o congresso reuniu milhares de profissionais para discutir inovação, tecnologia, gestão e os novos rumos da prática odontológica. Entre os temas que mais despertaram atenção, um ganhou destaque pela abordagem humana e estratégica: a saúde mental do cirurgião-dentista.
Na quarta-feira, durante a programação oficial do evento, a naturopata e treinadora frequencial Anna Maoli conduziu a palestra “Alta performance sem burnout: como a saúde integrativa está transformando a Odontologia”, trazendo uma reflexão profunda sobre os impactos do estresse crônico na performance clínica e na longevidade profissional.
Quando a excelência técnica encontra o limite humano
A Odontologia moderna é reconhecida pela precisão e pelo alto nível técnico. No entanto, a rotina intensa, as longas horas em posição estática e a pressão por resultados vêm cobrando um preço elevado dos profissionais. O aumento dos casos de exaustão física e emocional, muitas vezes normalizado dentro da profissão, começa a ser encarado como um fator crítico para a sustentabilidade do setor.
Durante a palestra, Anna Maoli destacou que o burnout não surge apenas do excesso de trabalho, mas da ausência de regulação do próprio sistema físico e emocional. “A autoconsciência, a percepção do corpo, das emoções e da própria frequência são fatores determinantes para a clareza, a tomada de decisão e a alta performance sustentável”, reforçou.

Odontologia integrativa: uma mudança de mentalidade
A apresentação propôs uma ampliação do papel do cirurgião-dentista, que passa a atuar não apenas como operador técnico, mas como gestor de saúde — do paciente e de si mesmo. A saúde integrativa, aplicada à Odontologia, une conhecimentos da neurociência, da regulação do sistema nervoso e do cuidado preventivo, trazendo benefícios diretos para o desempenho clínico e para a experiência do paciente.
Outro ponto de destaque foi a importância dos ambientes de atendimento. Consultórios que investem em ambiência, estímulos sensoriais adequados e práticas simples de regulação emocional tendem a reduzir a ansiedade dos pacientes e melhorar a concentração e a presença do profissional durante os procedimentos.
Experiência prática e novos diálogos
Diferente do formato tradicional de palestras técnicas, a apresentação incluiu uma vivência prática de regulação, utilizando sons terapêuticos para conduzir os participantes a um estado de maior presença e organização interna. O momento foi recebido com atenção e silêncio pela plateia, reforçando a crescente abertura do setor para abordagens que vão além da técnica convencional.
Na sequência da palestra, o espaço também recebeu um bate-papo especial conduzido por Raquel Stevan, da Unigloves, reunindo a biomédica Dra. Fabiana Marques, pioneira em PRP (Plasma Rico em Plaquetas) e amplamente reconhecida como a “mãe das células-tronco” no Brasil, e Anna Maoli. A conversa abordou as principais inovações do mercado voltadas à medicina integrativa e regenerativa aplicadas à Odontologia, destacando caminhos práticos para prevenção, regeneração tecidual e cuidado sistêmico dentro dos consultórios.

Parcerias e o futuro da Odontologia
O encontro aconteceu no estande da Unigloves e da PlasmaVitta, empresas que vêm investindo em inovação, biotecnologia e ampliando o diálogo sobre saúde integrativa, bem-estar profissional e medicina regenerativa no setor odontológico.
O CIOSP 2026 reforçou, assim, uma tendência clara: o futuro da Odontologia será tecnológico, mas também humano. Profissionais que cuidam da própria saúde física, mental e emocional tendem a entregar melhores resultados clínicos, construir relações mais sólidas com seus pacientes e garantir longevidade em uma das carreiras mais exigentes da área da saúde.