Search
Close this search box.
Search
Close this search box.

As várias mortes da vítima da ponte – 16/06/2026 – Mariliz Pereira Jorge

Duas pessoas estão em uma prancha de salto de madeira suspensa sobre uma estrutura metálica azul, cercada por vegetação e área de terra ao redor.

Quantas vezes a jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, será atirada da ponte do Esqueleto, em Limeira? Se depender da falta de empatia do público e da ganância de sites e páginas de entretenimento que mercantilizam o horror e transformam a tragédia em espetáculo, isso ainda vai durar muitos dias. A jovem foi morta várias vezes e de diversas formas.

Primeiro, foi vítima da negligência brutal de um país mambembe que se equilibra em puxadinhos, corrupção, obras inacabadas, leis que não funcionam e fiscalizações que não são feitas. No dia 13 de junho, instrutores a lançaram num abismo durante um salto de rope jump. Uma falha grosseira, letal, e totalmente evitável.

Mas a morte de Maria Eduarda não terminou no chão. Ela continua acontecendo nas redes, onde o luto deu lugar a crimes explícitos como atentar contra a honra da memória, apologia à violência sexual e uma nojenta incitação ao vilipêndio do seu cadáver. Bastou que a foto da garota, bonita e cheia de vida ganhasse a internet para que o esgoto digital projetasse nela fantasias abjetas, ignorando a tragédia. Esse sadismo não se restringe a grupos de red pill, nasce do homem comum, que enxerga no corpo feminino, mesmo sem vida, um objeto de abuso e de descarte.

É a definição mais pura da misoginia. Para quem ainda não entendeu do que se trata, basta um teste simples de gênero. Se a vítima fosse um homem, seria alvo de fantasias sexuais e de deboche? Claro que não. O corpo masculino é poupado dessa degradação. Já a tragédia da mulher vira entretenimento, fetiche, para gerar cliques e alimentar o voyeurismo de uma parte da sociedade que é capaz de consumir a morte como pornografia.

Por trás disso, plataformas como o X lavam as mãos e faturam alto. Hospedam, recomendam, monetizam a profanação sob o pretexto da “liberdade de expressão”. Não há opinião no escárnio a quem morreu. Tolerar necrofilia digital por engajamento é cumplicidade comercial. A morte pede o avesso do espetáculo. Que a família de Maria Eduarda encontre silêncio, respeito e justiça para seu luto.



Fonte ==> Folha SP

Relacionados

Principais notícias

O Retorno do Astro: Paulo Valenttin leva o glamour brasileiro de volta às terras do Tio Sam
TikTok diz ter impacto de mais de R$ 18 bilhões no PIB do Brasil
Dux Grupo na Fenagra 2026

Leia mais

STF condena Eduardo Bolsonaro pelo crime de coação por atuação nos EUA
STF condena Eduardo Bolsonaro pelo crime de coação por atuação nos EUA
Delegada aponta amadorismo de equipe em morte de jovem em salto sem cordas em SP
Delegada aponta amadorismo de equipe em morte de jovem em salto sem cordas em SP
IMG_4911-Editar (1)y
B2Grow: quando a reestruturação empresarial nasce da prática e devolve o controle aos negócios
Drone ucraniano atinge prédio na Rússia, e deixa um morto e nove feridos
Drone ucraniano atinge prédio na Rússia, e deixa um morto e nove feridos
Estudo revela uma forma mais prática de combater a gordura abdominal
Estudo revela uma forma mais prática de combater a gordura abdominal
Unesp divulga aprovados para 2ª fase do vestibular de meio de ano 2026
Unesp divulga aprovados para 2ª fase do vestibular de meio de ano 2026