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Brasil é o último em retorno para o cidadão

Brasil é o último em retorno para o cidadão

Pelo 14º ano consecutivo, o Brasil amarga a última posição em um ranking que mede o retorno dos impostos para a qualidade de vida da população. O diagnóstico, apresentado na nova edição do Índice de Retorno ao Bem-Estar da Sociedade (IRBES), elaborado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), expõe um paradoxo crônico: apesar de uma arrecadação crescente e robusta, o Estado brasileiro falha em traduzir esses recursos em serviços eficientes para o cidadão.

O estudo analisa 30 países com as maiores cargas tributárias do mundo, e o resultado para o Brasil é um atestado de ineficiência.

O paradoxo brasileiro: impostos de Primeiro Mundo, serviços de terceiro

A análise dos dados é clara: entre as 30 nações avaliadas, o Brasil ocupa o 30º lugar. O desempenho é inferior até mesmo ao de vizinhos sul-americanos como a Argentina, que figura na 11ª posição, e o Uruguai, em 14º.

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O problema não está no volume arrecadado. Em 2023, a carga tributária brasileira atingiu 33,43% do Produto Interno Bruto (PIB), um patamar comparável ao de nações desenvolvidas como Reino Unido, França e Alemanha. O abismo se revela na contrapartida: enquanto esses países oferecem serviços públicos de alta qualidade, o Brasil apresenta um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de apenas 0,786 (numa escala de 0 a 1), um número que, segundo os especialistas, reflete um desenvolvimento ainda precário.

João Eloi Olenike, presidente do IBPT e autor do estudo, classifica a situação como “alarmante”. Ele destaca que nações com estruturas econômicas menores conseguem oferecer um retorno muito mais significativo à sociedade, evidenciando que o problema brasileiro não é de arrecadação, mas de gestão.

O caminho da eficiência: lições de países com estado enxuto

Para reverter este cenário, a receita apontada por Olenike é direta e alinhada aos princípios de uma gestão pública responsável: realizar cortes em gastos supérfluos e combater a corrupção de forma efetiva. Somente com uma alocação mais inteligente dos recursos em áreas estratégicas — comoeducação, saúde, segurança e saneamento — será possível iniciar uma correção de rota. Sem isso, a tendência é a permanência na desconfortável última posição.

Enquanto o Brasil patina, outros países demonstram que é possível aliar uma carga tributária razoável a um elevado bem-estar social. A Irlanda, pela sétima vez, lidera o ranking com uma carga tributária de apenas 22,70% do PIB e um IDH de 0,950. É seguida por Suíça (2º), Estados Unidos (3º) e Austrália (4º), nações que provam que a eficiência no uso do dinheiro do contribuinte é mais importante que o volume arrecadado.



Fonte ==> UOL

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