CARIMBÓ TAMARUTEUA…no clima! Tamaruteua é o nome da praia de pescadores no município de Marapanim-Pará na Região do Salgado, onde nasci, e que dá nome ao Grupo-Movimento de Carimbó surgido no percurso de Ananindeua-Icoaraci-Belém em 2013. Tamaruteua (terra de tamaru) camarão que dá na beira dos rios, camarão da lama! Sugestivo mas trágico pois o aquecimento global subiu as águas do Atlântico que fica nas costas de Tamaruteua. Com isso a praia foi coberta na decada de 70. É nesse clima que tocando e cantando as histórias e vidas da Tamaruteua antiga, praia que fora inundada pelas águas lá pelos idos dos anos 70, fazendo a comunidade se mudar para as terras que eram chamadas de Breu, hoje a nova Tamaruteua…que esse carimbó se mostra! As músicas contam vivências e memórias do lugar. Marcado por uma identidade musical múltipla tendo como ponto de partida a pesquisa do universo vivencial da tradição musical, praiana e familiar carimbozeira, a qual estou ligado em ancestralidade e força da cultura popular junto com as inúmeras pessoa lindas que estão passam vem e vão no grupo/movimento Tamaruteua.
Por décadas, a cultura popular paraense tem encontrado novas vozes que, ao mesmo tempo, resgatam e preservam tradições profundas da Amazônia. Entre elas, destaca-se o Carimbó Tamaruteua, um grupo-movimento que nasceu oficialmente em 2013, mas cuja história começa bem antes — nas marés, nos barrancos e na memória viva da antiga praia de Tamaruteua, no município de Marapanim, na Região do Salgado, no Pará.
Tamaruteua, que em tupi significa “terra de tamaru”, referência ao camarão da lama abundante às margens dos rios, foi um território de pescadores, festas, música e convivência comunitária intensa. Um lugar que respirava carimbó — não como espetáculo, mas como extensão da vida cotidiana. Porém, na década de 1970, o avanço das águas do Atlântico, acentuado pelas mudanças climáticas, cobriu a praia e obrigou a população local a migrar para terras mais altas, a região então conhecida como Breu, onde se ergueria a nova Tamaruteua.
É dessa história — de perdas, resistências e reinvenções — que nasce o Carimbó Tamaruteua, fundado por um artista e pesquisador profundamente ligado à ancestralidade musical de sua família e à cultura praiana que moldou sua identidade. Criado no trajeto Ananindeua–Icoaraci–Belém, o grupo-movimento tornou-se uma ponte entre o passado e o presente, entre o que foi vivido na antiga praia e o que permanece na memória coletiva de sua gente.

A música como documento vivo
O Carimbó Tamaruteua não se limita ao entretenimento. Suas composições funcionam como um arquivo afetivo e histórico, narrando episódios, personagens, sons e sensações da antiga praia submersa. São canções que celebram a força dos pescadores, dos festejos praianos, da culinária, da relação com a maré e da própria fé que sustentou a travessia da comunidade para um novo território.
Musicalmente, o grupo carrega uma identidade múltipla, dialogando com diferentes vertentes do carimbó e com sonoridades amazônicas contemporâneas. Esse ecletismo tem como base uma intensa pesquisa sobre o universo vivencial da tradição musical herdada de sua família e do território onde cresceu. O resultado é um carimbó que respeita profundamente suas raízes, mas respira modernidade e conexão social.

Um movimento cultural, social e afetivo
Mais que um grupo, Tamaruteua é um movimento, constantemente alimentado por pessoas que vêm, ficam, passam e deixam marcas. Cada integrante traz sua vivência, sua voz, seu ritmo. Essa dinâmica orgânica faz da iniciativa um espaço de troca, formação e resistência cultural.
Em tempos em que identidades tradicionais enfrentam riscos de apagamento, o Carimbó Tamaruteua atua como um farol, iluminando o valor da memória e reafirmando o carimbó como patrimônio vivo. Sua atuação contribui para ampliar a visibilidade da cultura paraense, fortalecendo a autoestima da comunidade e dando novos sentidos àquilo que, um dia, pareciam restos de uma história perdida sob as águas.
A força que nasce da ancestralidade
A trajetória do fundador — artista, pesquisador e guardião da memória de sua terra — é o elo que sustenta a narrativa afetiva do grupo. Filho da região do Salgado, cresceu entre tambores, rodas, marés, tradições e histórias contadas ao pé do fogo. Hoje, transforma essas memórias em música, palco e movimento social, deixando evidente o compromisso não apenas artístico, mas cultural e político: manter viva a Tamaruteua que o viu nascer.
E é nesse clima — de mar, lama, ancestralidade e resistência — que o Carimbó Tamaruteua continua ecoando. Seus tambores contam, cantam e reconstroem o que o tempo tentou apagar, reacendendo uma chama que segue firme entre as marés da história.