Dentre tantas propagandas geniais que vi na TV ao longo dos tempos, uma, especificamente, me pega demais. Ela foi exibida na Copa de 1982 e mostrava Zico, extenuado, sendo abordado por uma criança ao descer do gramado para o vestiário.
O menino oferece ao ídolo uma garrafa de refrigerante. “Não quer minha Coca-Cola? Pode tomar. Toma!”. O que Zico faz? Bebe tudinho numa talagada só. De “guti-guti”, como diria minha avó. Eu tinha cinco anos e aquilo me impressionou. Como assim ele tomou tudo de uma vez? Sem respirar? Tente fazer o mesmo. Acho humanamente impossível.
A partir daí comecei a considerar Zico um ser superior. Sensação que ganhou força com o passar do tempo, ao vê-lo bailando em campo e também acompanhando sua trajetória. A vida em família, o sucesso no Japão, o esforço para se recuperar após uma entrada criminosa do zagueiro carniceiro Márcio, do Bangu, que esfacelou seu joelho. Cena de terror.
Em um dos meus primeiros jogos no Maracanã, lembro que só aparecia o nome e a camisa dos jogadores num telão da “Suderj informa”. Zé das Couves, número tal. Na hora de anunciar Zico, eis que surge seu rosto pixelado, num claro esforço de botá-lo degraus acima dos demais. A torcida, eufórica, reverenciava: “Ei, ei, ei! Zico é nosso rei!”. Que homem.
Ronaldo já afirmou que ter conseguido um autógrafo quando criança foi uma das maiores felicidades de sua vida. Casimiro Miguel contou que, após negativas de jogadores menos importantes, Zico topou, de cara, gravar com ele quando ninguém o conhecia.
Foi nos tempos de “De Sola”, quadro com Pedro Certezas no Youtube, produção amadora e de audiência pífia. Depois dele, vários boleiros aceitaram o convite. “Se não fosse o Zico, eu não estaria aqui”, contou o líder da CazéTV. E eu? Bem, eu tive a felicidade de botar meu filho no mundo no dia 3 de março. Mesmo dia Dele. Do cara. Nada programado. Parto normal. Foi porque Deus quis.
Fonte ==> Folha SP