19/02/2026
Enquanto o debate econômico nacional costuma se concentrar nas capitais, é nas regiões metropolitanas e cidades médias que uma parcela significativa da geração de empregos formais tem avançado nos últimos anos. Dados do Caged mostram que o setor de comércio e serviços permanece entre os principais responsáveis pela abertura de vagas no país, especialmente fora do eixo tradicional das grandes metrópoles.
O comércio de bebidas, o setor de alimentação fora do lar e o mercado pet figuram entre os segmentos que mais movimentam a economia urbana. Juntos, formam uma cadeia que envolve logística, fornecedores, transporte, entretenimento e serviços especializados. Em um cenário de instabilidade econômica recorrente, esses setores demonstram capacidade de adaptação e crescimento, sustentados pelo consumo cotidiano da população.
A profissionalização do comércio independente tem sido um dos fatores determinantes para esse avanço. Pequenos estabelecimentos que antes operavam de maneira informal passaram a investir em controle de estoque, tecnologia de gestão e expansão estruturada. O resultado é a consolidação de polos regionais capazes de atender não apenas consumidores finais, mas também pequenos comerciantes e estabelecimentos de alimentação.

Rafael Vinicius Graça Batista
Segundo o empresário Rafael Vinicius Graça Batista, que atua há nove anos no segmento de distribuição de bebidas na região metropolitana de São Paulo, a chave está na organização operacional. Ele iniciou sua atividade como adega de bairro e, com reinvestimento e ampliação física, transformou a operação em estrutura capaz de atuar também no atacado. Para ele, o crescimento sustentável depende de logística eficiente e planejamento financeiro consistente.
A expansão para cidades estratégicas com menor concorrência também tem sido observada como movimento relevante no interior paulista. Essa descentralização econômica fortalece mercados locais e amplia a geração de empregos diretos e indiretos. O setor de alimentação, por exemplo, impacta desde produtores rurais até músicos e trabalhadores do entretenimento, criando um efeito multiplicador na economia urbana.
Outro segmento que acompanha esse avanço é o mercado pet, considerado um dos mais resilientes do país. A demanda por serviços especializados e produtos de maior valor agregado tem impulsionado a abertura de estabelecimentos voltados a públicos específicos, contribuindo para a diversificação econômica regional.
Especialistas avaliam que o fortalecimento do empreendedorismo regional representa um componente essencial para a estabilidade econômica nacional. Em vez de depender exclusivamente de grandes conglomerados, o país passa a contar com redes independentes que movimentam capital, geram empregos e mantêm a circulação de renda dentro das próprias comunidades.
O avanço dessas operações demonstra que o crescimento econômico brasileiro não se resume aos grandes centros financeiros. Ele também acontece de forma silenciosa nas cidades médias, onde empresários locais estruturam negócios, investem em logística e constroem cadeias produtivas que sustentam o dinamismo regional. O desafio agora é garantir ambiente regulatório estável e acesso a crédito competitivo para que esse movimento continue contribuindo para o desenvolvimento nacional.