Search
Close this search box.
Search
Close this search box.

Entenda o Julgamento do STF que Pode Reduzir de Fato a Carga Tributária das Empresas

No dia 25 de fevereiro de 2026, o Supremo Tribunal Federal (STF) tem um encontro marcado para finalizar um julgamento que pode aliviar a carga tributária de milhares de empresas. A votação, no momento, encontra-se empatada por 5 a 5, e a decisão final está nas mãos do Ministro Luiz Fux, que dará o voto de desempate. Trata-se do julgamento sobre a exclusão do Imposto Sobre Serviços (ISS) da base de cálculo do PIS e da COFINS. Mas o que tudo isso significa? E como, na prática, seus impostos podem ficar mais baratos?

Entendendo os Impostos: PIS, COFINS e ISS

Para começar, é importante saber quem é quem nessa história. Pense nos impostos como peças de um quebra-cabeça que compõem a carga tributária de uma empresa.

•PIS e COFINS: São duas contribuições federais que a maioria das empresas no Brasil precisa pagar. Elas são calculadas sobre o faturamento da empresa, ou seja, sobre tudo o que ela arrecada com a venda de seus produtos ou a prestação de seus serviços.

•ISS (Imposto Sobre Serviços): É um imposto municipal. Como o próprio nome diz, ele incide sobre a prestação de serviços. Se você contrata um arquiteto, um advogado ou uma consultoria, por exemplo, o valor do ISS está embutido no preço que você paga.

A Grande Questão: O que é Faturamento de Verdade?

A discussão que chegou ao STF é, na verdade, bastante lógica. Imagine que uma empresa de consultoria emitiu uma nota fiscal de R$ 1.000. Dentro desses R$ 1.000, uma parte (vamos supor, R$ 50) é o ISS, que a empresa tem a obrigação de repassar para a prefeitura de sua cidade.

O PIS e a COFINS, como vimos, são calculados sobre o faturamento. A pergunta que vale milhões (ou melhor, bilhões) é: o faturamento da empresa foi de R$ 1.000 ou de R$ 950? Os R$ 50 do ISS, que apenas “passam pelo caixa” da empresa antes de irem para os cofres públicos, devem ser considerados parte da receita sobre a qual se calcula o PIS e a COFINS?

Os contribuintes (as empresas) defendem que não. O argumento é que o valor do ISS não é uma receita da empresa, mas sim do município. A empresa atua apenas como uma intermediária, uma arrecadadora desse imposto. Portanto, seria injusto pagar PIS e COFINS sobre um dinheiro que não lhe pertence.

Já a União (o governo federal) argumenta que o ISS compõe o preço do serviço e, portanto, faz parte do faturamento bruto da empresa, devendo sim ser incluído na base de cálculo das contribuições.

A “Irmã da Tese do Século”

Essa discussão não é totalmente nova no STF. Em 2017, os ministros decidiram um caso muito parecido, que ficou conhecido como a “Tese do Século”. Naquela ocasião, o tribunal decidiu que o ICMS (um imposto estadual, primo do ISS) não deveria fazer parte da base de cálculo do PIS e da COFINS, exatamente pelo mesmo motivo: o valor do ICMS não é receita do contribuinte.

Por isso, a expectativa para o julgamento do ISS é grande. A lógica aplicada ao ICMS se encaixa perfeitamente para o ISS, o que fortalece a posição das empresas prestadoras de serviços.

Como os Impostos Ficarão Mais Baratos?

Se o STF decidir em favor dos contribuintes, o impacto será duplo e muito positivo para as empresas reduzindo a carga tributária, ou seja , as empresas poderão excluir o valor do ISS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Na prática, isso significa que a base sobre a qual os impostos são calculados será menor, resultando em uma economia mensal contínua.

Adicionalmente, as empresas que pagaram PIS e COFINS com o ISS na base de cálculo nos últimos cinco anos poderão pedir a devolução desses valores, devidamente corrigidos. Isso pode representar uma injeção de caixa significativa.

Um Ponto de Atenção: A “Modulação dos Efeitos”

Apesar do otimismo, há um detalhe importante: a “modulação dos efeitos”. Esse é um instrumento que o STF pode usar para limitar o impacto de sua decisão. Em vez de permitir que todas as empresas recuperem os valores dos últimos cinco anos, o tribunal pode decidir, por exemplo, que a regra só valerá a partir da data do julgamento, ou que apenas as empresas que já entraram com ação na Justiça terão direito a reaver o passado.

Uma dúvida comum é se, após a decisão final do STF, a União poderia recorrer para tentar reverter o resultado. A resposta é: não para o mérito da questão. Como este é um julgamento com “repercussão geral” no Supremo, a decisão sobre se o ISS deve ou não compor a base do PIS e da COFINS é definitiva.

O que pode ocorrer é a apresentação de um tipo de recurso chamado “Embargos de Declaração”. No entanto, esse recurso não serve para rediscutir o que foi decidido, mas apenas para esclarecer algum ponto que tenha ficado obscuro ou contraditório no acórdão (o texto final da decisão). Portanto, uma vez batido o martelo a favor dos contribuintes, a União não poderá reverter o entendimento.

O julgamento da exclusão do ISS da base de cálculo do PIS e da COFINS é um dos mais importantes dos últimos anos para o setor de serviços. Uma decisão favorável não apenas corrige uma distorção na forma como os impostos são cobrados, mas também representa um alívio financeiro fundamental para a saúde e a competitividade das empresas brasileiras. Agora, resta aguardar a palavra final do STF, na esperança de que a lógica e a justiça prevaleçam, tornando o ambiente de negócios no Brasil um pouco mais simples e menos oneroso para todos.

Relacionados

Principais notícias

O Crime Quase Perfeito: A Fraude de Diplomas que Engana o Brasil
MP recomenda suspensão do IPTU em Barra de São Miguel após aumentos de até 215%
Stronger targeting starts with aligned personas and ICPs

Leia mais

EUA propõem ao Brasil "exportação" de criminosos estrangeiros
EUA propõem ao Brasil "exportação" de criminosos estrangeiros
As melhores e as piores bebidas para os rins, segundo nutricionista
Doença renal avança no país e expõe gargalos de acesso à diagnóstico precoce e à diálise
Direita marca presença na posse do novo presidente do Chile
Direita marca presença na posse do novo presidente do Chile
Irã diz que jogadoras asiladas na Austrália são como "reféns"
Irã diz que jogadoras asiladas na Austrália são como "reféns"
Paquistanês é condenado por planejar assassinato de Trump
Irã ataca petrolífera no Bahrein; Trump minimiza alta do petróleo
ataques a petrolíferas ameaçam suprimento global de petróleo
ataques a petrolíferas ameaçam suprimento global de petróleo