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Frankenstein sobe ao palco – 14/03/2026 – Ruy Castro

Mulher de vestido escuro observa atentamente um dispositivo estranho sobre uma mesa, onde um corpo grande e pálido está parcialmente coberto por uma rede vermelha e conectado a vários eletrodos. Homem ao fundo observa a cena em ambiente iluminado por janelas com objetos antigos e frascos.

Frankenstein“, de Guillermo del Toro, com suas figuras gosmentas, gente voando e explosões gratuitas, concorre neste domingo (15) ao Oscar. Disputa em nove categorias, inclusive a de melhor filme, e ameaça ganhar em várias. Se acontecer, será o primeiro “Frankenstein” a levar uma estatueta. E não será pouca façanha. O Imdb (Internet Movie Data Base) lista 56 filmes sobre o personagem apenas entre os produzidos para o cinema e diz que, se contarmos os feitos para a TV e os que têm remota ligação com a história, o número chega a 500. Mary Shelley, 21 anos quando publicou “Frankenstein” em 1818, não acreditaria se soubesse disso.

O primeiro foi um curta mudo de 16 minutos, de 1910, pelo estúdio de Edison, em que a Criatura nasce num caldeirão fumegante. O mais importante é o “Frankenstein” (1931) da Universal, com Boris Karloff inaugurando a caracterização definitiva do monstro: uma prótese de borracha em forma de carapaça pesando 3 kg e afixada na cabeça por dois parafusos, que levava 4 horas para ser aplicada. O pobre Boris carregou-a por diversos filmes, até passá-la para Lon Chaney Jr., Bela Lugosi e Glenn Strange em outros filmes da Universal, única a poder usá-la.

Depois do seminal “A Noiva de Frankenstein” (1935), com Elsa Lanchester no papel e talvez o melhor filme de todos, a Criatura teve várias outras noivas e mulheres e, sabe-se como, filhos. Já houve Frankensteins negros, adolescentes e até contracenando com Mickey num desenho animado. O primeiro Frankenstein em cores foi o inglês “A Maldição de Frankenstein”, de 1957.

Em sua longa carreira nas telas, a Criatura enfrentou Drácula e o Lobisomem em filmes separados e os dois ao mesmo tempo numa comédia de Abbott e Costello, “Às Voltas com Fantasmas” (1948). A partir dali, o monstro cansou-se de ser desmoralizado —mas nunca tão bem quanto em “O Jovem Frankenstein” (1975), de Mel Brooks.

Este, por sinal, o único filme em que ele chega vivo e todo pimpão ao final, lendo o The Wall Street Journal na cama.



Fonte ==> Folha SP

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