Search
Close this search box.
Search
Close this search box.

Governo corre para conter “pauta-bomba” que ajudou a aprovar

Proposta de piso obrigatório para a assistência social avança no Congresso enquanto governo tenta conter impacto fiscal da medida, vista como nova pressão sobre o orçamento.

Depois de apoiar o avanço da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que cria um gasto mínimo obrigatório para a assistência social, nos moldes do que já existe para saúde e educação, o governo agora corre para reduzir o impacto da proposta que ajudou a viabilizar no Congresso.

A movimentação de governistas ocorre em meio a um cenário de fragilidade fiscal, com resultado primário negativo e crescimento da dívida pública.

Após articulação entre governo e base parlamentar, o texto foi aprovado em primeiro turno na Câmara em 8 de abril, com 464 votos favoráveis e 16 contrários. A votação em segundo turno estava prevista para o final de abril, mas segue travada em meio a negociações. Se aprovada, a proposta ainda precisa passar por dois turnos no Senado antes de ser promulgada.

A medida, defendida inicialmente por seu apelo eleitoral, passou a ser vista dentro da equipe econômica como uma potencial “pauta-bomba”, capaz de ampliar o engessamento do orçamento e pressionar as contas públicas nos próximos anos.

A PEC estabelece que União, estados e municípios terão de destinar uma parcela mínima da receita ao Sistema Único de Assistência Social (SUAS). Esse piso cresce ao longo do tempo, partindo de cerca de 0,3% e podendo chegar a 1% da receita, consolidando uma nova vinculação permanente.

Hoje, o orçamento federal já conta com vinculações constitucionais relevantes, como os pisos de saúde (15% da receita corrente líquida) e educação (18% da receita de impostos), o que amplia o efeito cumulativo de novas amarras fiscais.

O governo Michel Temer (MDB) não extinguiu os pisos constitucionais, mas limitou seu crescimento ao vinculá-los ao teto de gastos, com o objetivo de tornar o orçamento mais flexível e conter a trajetória da dívida pública. A gestão Lula, no entanto, retomou regras que ampliam a vinculação de despesas, o que, na prática, reduz a margem de manobra para ajustes fiscais.

VEJA TAMBÉM:

  • Governo Lula cria uma medida para ampliar a carga tributária a cada 27 dias
  • Câmara avança com PECs pelo fim da escala 6×1 e esvazia proposta do governo

Equipe econômica de Lula vê risco em piso da assistência social

Segundo apuração da Gazeta do Povo, técnicos da Fazenda avaliam que, se concretizada, a proposta aumentaria a rigidez do orçamento e pressionaria o regime fiscal ao criar uma nova obrigação atrelada à receita.

A medida também entra em choque com o próprio arcabouço fiscal, que depende do controle do crescimento das despesas para sustentar a trajetória da dívida pública.

Para conter o impacto, a equipe econômica e o relator, André Figueiredo (PDT-CE), passaram a discutir uma solução técnica: permitir que despesas assistenciais já realizadas, hoje fora do cálculo do SUAS, sejam incorporadas ao piso.

A ideia é evitar aumento imediato de gastos e destravar a votação, sem criar despesa nova no curto prazo.

Proposta de piso obrigatório para a assistência social avança no Congresso enquanto governo tenta conter impacto fiscal da medida, vista como nova pressão sobre o orçamento. (Foto: Ilustração Gazeta do Povo – com DALL-e)

“Generosidade paga com o dinheiro do contribuinte”, aponta economista

Para economistas ouvidos pela Gazeta do Povo, a estratégia do governo não resolve o problema estrutural. Alexandre Manoel, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), afirma que a PEC adiciona uma “nova camada de rigidez a um orçamento que já é amplamente vinculado”.

Segundo ele, transformar esse gasto em obrigação permanente reduz a flexibilidade da gestão pública. “Quanto maior a parcela de despesas obrigatórias, menor a capacidade de ajuste”, diz, especialmente em um cenário de dívida pública de 79,2% do PIB, segundo dados do Banco Central.

O economista também aponta inconsistência com a própria estratégia fiscal do governo. A Lei de Diretrizes Orçamentárias prevê redução das despesas de 19,3% para 18% do PIB até 2030. “Prometer um ajuste dessa magnitude sem apresentar um plano concreto, ao mesmo tempo em que se criam novos pisos, enfraquece a confiança”, afirma.

Já a economista Juliana Inhasz, professora do Insper, destaca que o escalonamento dificulta qualquer acomodação via remanejamento. “Em quatro anos, esse percentual mais que triplica”, afirma.

Para ela, a proposta representa um retrocesso no esforço de reduzir a rigidez orçamentária e carrega forte componente político. “Você vê governo e Congresso muito empenhados em fazer isso acontecer. Algum tipo de capitalização eles vão ter”, diz.

Juliana classifica o movimento como “generosidade paga com o dinheiro do contribuinte” e alerta para o risco de perda de credibilidade do regime fiscal: “O arcabouço já caminha para se tornar mais um ‘factoide’ do que um instrumento real de controle das contas públicas”, declara.

VEJA TAMBÉM:

  • Decisão do STF reacende indústria de ações trabalhistas e gera recorde de pagamentos



Fonte ==> UOL

Relacionados

Principais notícias

Da assistência à estratégia: enfermeiros ampliam atuação e assumem protagonismo na gestão do cuidado
O avanço do e-commerce regional e de nicho: como pequenos negócios estão conquistando espaço digital
Como mais de 3,8 mil escolas do Amazonas estão se mobilizando para melhorar a qualidade da educação pública

Leia mais

Se for convidado para ir a casa de alguém, nunca faça estas 6 coisas
Se for convidado para ir a casa de alguém, nunca faça estas 6 coisas
Homem é preso por matar ex-companheira a tiros; filha também foi baleada
Homem é preso por matar ex-companheira a tiros; filha também foi baleada
Mourinho indica favoritos na Copa e diz que 'Brasil com Ancelotti é outro'
Mourinho indica favoritos na Copa e diz que 'Brasil com Ancelotti é outro'
Veja 5 curiosidades sobre Shamell, que terá sua última temporada
Veja 5 curiosidades sobre Shamell, que terá sua última temporada
Conselheiros do Santos pedem apuração contra Teixeira por acordo com Neymar
Conselheiros do Santos pedem apuração contra Teixeira por acordo com Neymar
Putin diz que fará de tudo para ajudar Irã após receber chanceler na Rússia
Putin diz que fará de tudo para ajudar Irã após receber chanceler na Rússia