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Haddad bate-boca com deputados e ouve: “Moleque é você”

Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, irá apresentar medidas como IR de 17,5% sobre aplicações financeiras ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na terça-feira (10)

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participou de um bate-boca e foi chamado de “moleque” durante audiência pública nas Comissões de Finanças e Tributação e de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados, na manhã desta quarta-feira (11).

O ministro afirmou que era “molecagem” dos deputados Nikolas Ferreira (PL-MG) e Carlos Jordy (PL-RJ) terem saído da sessão após fazerem suas perguntas e críticas à condução da política econômica do governo.

O ministro disse que não consegue debater com os “bolsonaristas”, que “sempre correm” do debate. “Esse tipo de postura, esse tipo de molecagem do Nikolas e do Jordy, que correram do debate, não vai adiantar”, afirmou o ministro.

Ao retornar à sessão, o deputado Carlos Jordy disse que o “moleque” era o ministro. Após intervenção do deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS), as falas de ambas as autoridades foram retiradas das notas taquigráficas da audiência.

Haddad ainda afirmou que, nas eleições de 2018, o então candidato Jair Bolsonaro “correu” de todos os debates com ele no segundo turno. Em resposta, o deputado Marcel Van Hattem afirmou que Bolsonaro não havia fugido, pois estava hospitalizado em função da facada que levou durante o período eleitoral.

“Eu estou colocando a verdade dos fatos. Ele não fugiu de debate nenhum, ele estava hospitalizado. A menos que o senhor quisesse debater com ele numa cama de hospital, o que eu acho que não é algo digno de alguém que deve ter empatia pelo próximo, independentemente se é Bolsonaro ou se é Lula”, afirmou o deputado do Novo.

Durante sua fala, Nikolas questionou a postura do ministro e dos integrantes de sua equipe, que pareciam estar administrando países como a “Suíça”. “Poxa, eu preciso provar aqui, com algum termo técnico sobre como é que está a economia? É um imposto a cada 37 dias”, disse o parlamentar.

Jordy, por sua vez, havia criticado a taxação crescente, com o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que é regulatório, e o subsequente pacote do governo. “Aliás, eu nunca vi um governo tão atrapalhado”, disse o parlamentar, ao criticar recuos do governo no Pix e no IOF.

Jordy ainda disse que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem cometido um “desastre econômico” com juros altos, inflação e desequilíbrio nas contas públicas, e que tenta culpar a todos por isso. “Mas a culpa é de vocês, que tentam a todo momento equilibrar conta pública pelo lado da receita. Tem que equilibrar pela despesa, com corte de gastos”, disse.

A audiência foi presidida pelo deputado Rogério Correia (PT-MG), que encerrou a sessão após confusão na hora de ceder a palavra aos deputados presentes para que se manifestassem. O presidente alegou que os parlamentares “bolsonaristas” fizeram baderna e que, em razão da ação deles, não havia condições de seguir com a reunião.

O ministro Haddad saiu da audiência sob coro que o chamava de “fujão”.

Para líder da oposição, Haddad perdeu as condições de continuar no cargo

Após o fim da audiência, o líder da oposição na Câmara, deputado federal Zucco (PL-RS), encaminhou nota à imprensa na qual afirmou que o ministro da Fazenda perdeu as condições de continuar no cargo, em razão dos ataques feitos aos deputados e ao seu isolamento político. “Veio à Câmara para tumultuar”, disse.

“O senhor Haddad afirmou que Bolsonaro fugiu dos debates em 2018. Uma declaração covarde, mentirosa e absolutamente desumana. Todos sabemos que o presidente sofreu uma facada e quase morreu. Isso não é debate político — é canalhice disfarçada de oratória”, disse o parlamentar.

Ainda na nota, o deputado afirmou que a insatisfação com o ministro não se restringe à oposição, chegando aos partidos que têm ministérios no governo Lula. O parlamentar também disse que, não por acaso, o ministro tem o apelido de “Taxad”, pois foi à Casa para defender novamente o aumento de impostos, como se a população fosse uma fonte inesgotável de dinheiro.

“Mas o que vimos foi um ministro descompensado, isolado e hostil. Haddad perdeu totalmente as condições de continuar no cargo”, afirmou Zucco. Sobre o novo pacote de gastos defendido pelo ministro na audiência – e que encontra resistência no Congresso – o parlamentar afirmou que nem a base aliada do governo está disposta a “carregar essa bomba”.

Haddad diz que reforma do IR só afeta “morador da cobertura”

No início da audiência, Haddad defendeu as novas regras do Imposto de Renda e disse que só afetam “morador da cobertura”. Segundo ele, a realidade do país é como a de um condomínio que cobra a taxa do zelador, mas não do morador da cobertura.

Haddad defendeu que, com a reforma do IR, a alíquota irá subir para quem “não paga nem 10% de alíquota efetiva e que ganha mais de R$ 1 milhão por ano”. De acordo com o ministro, a alíquota média do IR para as pessoas com esse nível de renda é de 2,5%.

O ministro ainda afirmou que o governo patrocina o agronegócio brasileiro ao defender o corte de 10% dos benefícios tributários concedidos a setores da economia e indústrias – a medida integra o pacote fiscal recentemente anunciado pelo governo. Segundo Haddad, a renúncia fiscal em favor do agro é de R$ 158 bilhões ao ano.

VEJA TAMBÉM:

  • Em novo pacote fiscal, governo quer IR de 17,5% sobre aplicações financeiras

  • Aumento de impostos anunciado em novo pacote do governo pode desestimular investimentos no país, dizem especialistas.

    Pacote do governo tem alta imediata de imposto; contenção de gasto fica para depois

Haddad fala em “diálogo” com Congresso sobre corte de gastos

Ao responder ao deputado Pedro Paulo (PSD-RJ), que o questionou sobre o risco fiscal, devido ao aumento da dívida pública, o ministro afirmou que é uma preocupação resolver a questão do déficit público, que ele condicionou à crise política em 2015.

Haddad ainda afirmou que os repasses para o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) e a judicialização do BPC implicaram R$ 100 bilhões de despesas adicionais, e disse que o governo está buscando parâmetros para colocar uma “racionalidade adequada” nas decisões judiciais sobre o benefício.

Haddad também disse que é preciso avançar no diálogo com o Parlamento sobre o corte nos gastos. “Nós vamos enfrentar a questão dos supersalários ou não? Vamos enfrentar a questão da aposentadoria dos militares ou não? Vamos enfrentar a questão do pente-fino nos benefícios sociais ou não?”, questionou.



Fonte ==> UOL

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