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Hélio Schwartsman: Mitos progressistas – 01/02/2025 – Hélio Schwartsman

A imagem mostra uma cena de crime animada com um fundo vermelho. Há uma fita amarela com a inscrição

Quando você encontra seu malvado favorito na cena do crime, raramente se pergunta se ele é mesmo o culpado. O viés de confirmação é um traço psicológico ubíquo. Em algum grau, todos o apresentamos. Mas quem está interessado em descobrir a verdade deveria se esforçar para avaliar corretamente as evidências, sem desconsiderar a possibilidade de o seu malvado favorito ser inocente.

É bem nesse espírito que o filósofo Michael Huemer escreveu “Progressive Myths”, obra na qual recorre a contextualizações e à matemática para desconstruir teses que se tornaram caras à esquerda. Seus alvos incluem a ideia de que mulheres ganham muito menos do que homens para fazer o mesmo trabalho e a de que os americanos ricos pagam menos impostos do que a classe média.

O livro é bem polêmico, porque Huemer não hesita em atacar os novos consensos progressistas em torno de temas como racismo, sexismo, capitalismo, questões de gênero etc. Pode-se, é claro, discutir se a contextualização proposta pelo autor é a melhor, mas é preciso reconhecer que, no mínimo, ele mostra que a questão é mais complicada do que sugerem as palavras de ordem.

Muitos podem ficar tentados a afastar os questionamentos de Huemer classificando-o como um extremista de direita empenhado em reforçar os mecanismos de opressão, mas isso seria falso. Parece-me mais correto inscrever o filósofo na tradição do saudável ceticismo, com toques de anarquismo (seu pensamento é próximo ao do de Bryan Caplan). Se neste livro Huemer volta suas baterias contra a esquerda, há outros textos em que ele descasca a direita, cujos mitos são, na sua opinião, ainda mais tolos.

Na parte final da obra o autor discute as razões por que mitos ideológicos se propagam e mostra alguns dos mecanismos pelos quais eles podem ser socialmente corrosivos. Para ele, militantes empenhados em melhorar o mundo deveriam seguir a lição de Hipócrates e tentar se assegurar de que, antes de mais nada, seus métodos não causem mal (“primum non nocere”).

helio@uol.com.br



Fonte ==> Folha SP

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