O IBGE avalia uma mudança profunda na forma como mede a riqueza do país, considerando a inclusão de atividades como o tráfico de drogas, o contrabando e os jogos de azar no cálculo do PIB. A medida segue orientações de organismos internacionais e manuais da ONU. O objetivo é padronizar as estatísticas nacionais e oferecer um retrato mais fiel da circulação de dinheiro no mercado brasileiro.
Por que o IBGE pretende incluir o crime organizado na conta do PIB?
A iniciativa não é uma decisão isolada do Brasil, mas uma resposta a recomendações globais contidas no manual System of National Accounts 2025, adotado pela Comissão de Estatística da ONU. Organismos como o FMI e o Banco Mundial argumentam que, embora ilegais, essas transações envolvem mercadorias e dinheiro que circulam na economia real. Se um país ignora esses valores e outro os contabiliza, os dados comparativos ficam distorcidos. Assim, a inclusão busca eliminar inconsistências estatísticas e mostrar o tamanho real da produção e do consumo, independentemente da legalidade.
Quais atividades específicas podem passar a ser monitoradas estatisticamente?
O planejamento metodológico do instituto cita explicitamente a comercialização de entorpecentes, o contrabando de produtos e os jogos de azar. A ideia é seguir o que já acontece na União Europeia desde 2014, onde o tráfico de drogas e a prostituição são obrigatoriamente contabilizados. Países como Reino Unido, Canadá e Colômbia também já adotam esse modelo. Nos Estados Unidos, estudos indicam que somar essas atividades elevaria a riqueza nominal em cerca de 1%. No Brasil, o IBGE reforça que a adoção depende de estudos técnicos complexos e da disponibilidade de dados confiáveis.
Como essa mudança na metodologia altera os indicadores da nossa economia?
Na prática, a inclusão de novos dados tende a elevar o valor total do PIB, o que funciona como uma mudança na régua de medir o país. Um PIB maior ajuda a diminuir indicadores que são calculados como porcentagem da economia. Por exemplo, se a riqueza total aumenta, a dívida pública e os gastos do governo parecem menores proporcionalmente, mesmo que os valores em dinheiro continuem iguais. Especialistas explicam que isso não cria riqueza nova nem melhora a vida da população automaticamente, mas altera a percepção estatística sobre a carga tributária e o endividamento do Estado brasileiro.
Quando essas novas regras devem entrar em vigor no Brasil?
O processo de revisão das contas nacionais é uma tarefa de longo prazo e a divulgação da nova série metodológica está prevista apenas para o ano de 2028. O IBGE esclareceu que a adoção dessas recomendações não ocorre de forma automática e passa por avaliações periódicas para se adaptar à realidade local. Enquanto isso, o órgão analisa a incorporação de novas fontes de dados e pesquisas estruturais anuais. É importante notar que revisões anteriores, como as de 2007 e 2015, já resultaram em aumentos expressivos no nível do PIB nominal devido a atualizações na base de dados e novas classificações.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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Fonte ==> UOL