Interessante, mas ainda confuso, o jogo da oposição para a eleição presidencial. Já deu para entender que a dispersão de candidaturas empurra a decisão para o segundo turno.
Até aí, nada de novo. Se já seria quase impossível Luiz Inácio da Silva (PT) levar a reeleição no primeiro, muito mais improvável que isso aconteça num cenário diversificado, com o eleitorado dividido em várias opções.
À primeira vista, a jogada de Gilberto Kassab de juntar Ronaldo Caiado, Eduardo Leite e Ratinho Junior no PSD que preside não combina com o conceito da dispersão pragmática, pois reduz a lista de pretendentes à Presidência da República.
A menos que sejam outros os planos de Kassab, expert na arte de dar uma cartada de olho em algumas casas adiante. Provocado a explicar o lance, sai pela tangente: “É tudo muito simples. Foi feito um acordo e quem estiver melhor no início de abril, será o candidato”.
Há mais caroço debaixo desse angu. Com três governadores sob seu guarda-chuva, mais Raquel Lyra, de Pernambuco, e Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, ainda como aliado preferencial, o ex-prefeito paulistano parece mesmo interessado em reunir forças para ocupar lugar de destaque nas negociações —que ainda não começaram de verdade.
Acumula cartas altas neste início para lá na frente jogá-las na mesa como for mais conveniente. Por ora embaralha as peças, faz notícia, cria fatos e se coloca na cena como interlocutor credenciado a negociar, retirando de Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL) a exclusividade da prerrogativa.
Enquanto esses dois se movimentam comodamente na dinâmica das torcidas, Kassab faz política na posse de uma cartilha arguta de atração em detrimento da exclusão. Abre espaço para atrair a direita refratária aos ditames bolsonaristas e dá opção ao centro arrependido de ter caído no conto petista da frente ampla.
Vai dar certo? Sabe-se lá. Se não der, o recuo tático é uma possibilidade à disposição de projetos de renovação geracional com vista a um 2030 que está logo ali.
Fonte ==> Folha SP