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O fascínio do movimento

Leandro Pereira

Existe algo fascinante no movimento.

Ele transmite energia.
Transmite dinamismo.
Transmite a sensação de que algo importante está acontecendo.

Talvez por isso sejamos tão atraídos por ele.

Desde cedo aprendemos a associar movimento a progresso.

Quem está parado parece estagnado.
Quem está em movimento parece avançar.

Mas sistemas complexos raramente são tão simples.

Nas organizações, o movimento está por toda parte.

Projetos são iniciados.
Reuniões são realizadas.
Indicadores oscilam.
Novas prioridades surgem.

A agenda se enche.

As equipes se mobilizam.

A empresa parece viva.

E normalmente está.

A questão é que vida e direção não são a mesma coisa.

Em ambientes de crescente complexidade, tornou-se cada vez mais fácil medir atividade e cada vez mais difícil compreender transformação.

Movimento é visível.

Progresso nem sempre.

Uma empresa pode estar executando dezenas de iniciativas simultaneamente e, ainda assim, permanecer essencialmente no mesmo lugar.

Da mesma forma, algumas das mudanças mais profundas acontecem de forma quase imperceptível.

Uma decisão estratégica.
Uma mudança cultural.
Uma nova forma de pensar o negócio.

Pequenos deslocamentos que, ao longo do tempo, alteram completamente a trajetória de um sistema.

Talvez por isso a liderança contemporânea enfrente um desafio curioso.

Separar aquilo que gera sensação de avanço daquilo que efetivamente produz evolução.

Nem sempre é uma tarefa simples.

Porque movimento produz conforto psicológico.

Ele oferece evidências imediatas.

Progresso, por outro lado, exige paciência.

Frequentemente só se revela depois.

O Executivo Nexialista desenvolve sensibilidade para essa distinção.

Ele observa atividade, mas procura transformação.

Acompanha iniciativas, mas busca impacto.

Valoriza velocidade, mas não a confunde com direção.

Porque entende que sistemas complexos podem acelerar na direção errada com a mesma facilidade com que aceleram na direção correta.

E, muitas vezes, quanto maior a velocidade, mais difícil se torna perceber a diferença.

Talvez uma das perguntas mais relevantes para qualquer liderança não seja:

“O quanto estamos nos movendo?”

Mas algo muito mais sutil:

“O que está efetivamente mudando?”

Movimento ocupa o presente.

Transformação revela seu significado apenas com a passagem do tempo.

E é justamente nessa diferença que algumas organizações constroem o futuro, enquanto outras apenas acumulam deslocamento.

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