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“Psiquemicídio Negro”: novo livro de Gil de Sá propõe conceito inédito sobre os impactos do racismo na saúde mental

Obra será lançada em março de 2026 e apresenta um conceito autoral que nomeia a violência psicológica estrutural sofrida pela população negra

O escritor e pesquisador Gil de Sá anuncia o lançamento de seu novo livro, Psiquemicídio Negro, previsto para março de 2026. A obra apresenta um conceito autoral potente e provocador, que busca nomear e aprofundar a compreensão sobre os efeitos do racismo estrutural na psique, na identidade e na saúde mental da população negra.

Ainda não consolidado na literatura acadêmica tradicional, o termo “Psiquemicídio Negro” surge como uma formulação conceitual que dialoga diretamente com debates contemporâneos da psicologia social crítica, da saúde mental e dos estudos raciais. A palavra une “psiqué” do grego, alma ou mente a “homicídio”, sugerindo a ideia de uma morte simbólica, contínua e estrutural da subjetividade de pessoas negras.

Segundo o autor, o conceito descreve um processo silencioso e persistente, no qual a violência racista explícita ou simbólica atua de forma cumulativa, afetando a autoestima, o senso de pertencimento e a constituição da identidade negra. “Não se trata de um evento isolado, mas de um mecanismo social que opera diariamente por meio da exclusão, da desvalorização e da estigmatização”, aponta Gil de Sá.

Racismo e saúde mental

A obra dialoga com pesquisas e discussões já consolidadas que evidenciam como o racismo impacta diretamente a saúde mental. Estudos apontam que a exposição contínua à discriminação racial está associada ao aumento de quadros de ansiedade, depressão e sofrimento psíquico, além de agravar vulnerabilidades sociais historicamente impostas à população negra.

O livro também aborda o processo de construção da identidade negra em uma sociedade marcada por desigualdades raciais, destacando como a internalização de estigmas e estereótipos pode comprometer profundamente a subjetividade. Nesse sentido, Psiquemicídio Negro dialoga com pensadores clássicos como Frantz Fanon, que analisou os efeitos da colonialidade e do racismo na formação psíquica de indivíduos negros.

Um conceito para nomear o que sempre existiu

Ao propor o termo, Gil de Sá não apenas descreve um fenômeno, mas oferece uma ferramenta simbólica e política para nomear uma dor historicamente invisibilizada. O livro se posiciona como uma contribuição relevante para profissionais da saúde mental, educadores, pesquisadores, ativistas e para o público em geral interessado em compreender as dimensões psicológicas do racismo.

Mais do que uma obra teórica, Psiquemicídio Negro convida à reflexão crítica sobre como estruturas sociais produzem adoecimento psíquico e desafia a sociedade a reconhecer que o combate ao racismo também é, necessariamente, uma questão de saúde mental e de humanidade.

O lançamento está previsto para março de 2026, com expectativa de ampliar o debate público sobre racismo, subjetividade e reparação psicológica.

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