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Ricardo Nunes repete vexame de Trump – 07/06/2025 – Elio Gaspari

Um homem está em pé atrás de um púlpito, falando ao microfone. Ele usa um terno azul escuro e uma camisa clara. Ao fundo, há cortinas marrons e um lustre com luminárias de cristal. O ambiente parece ser um salão de eventos.

Depois do vexame do tarifaço de Donald Trump, que taxou uma ilha de pinguins da Austrália, a Secretaria de Educação da cidade de São Paulo conseguiu acompanhá-lo. Os çábios de Trump valeram-se de algoritmos para recalcular as tarifas comerciais americanas e ferraram os pinguins, que não produzem coisa nenhuma.

Em São Paulo deu-se coisa parecida. Operando com um mecanismo de aferição do desempenho dos estudantes da rede municipal, localizaram 25 escolas com índices insatisfatórios e chamaram seus diretores para submetê-los a uma necessária reciclagem. Até aí, tudo bem, pois as escolas precisam ser avaliadas.

O problema surgiu quando entraram na roda o Espaço de Bitita e seu diretor, Cláudio Marques da Silva Neto. Pela planilha, a Bitita ficou abaixo do índice. Na vida real, ela tem 800 alunos, com maioria de filhos de imigrantes. Para cerca da metade das crianças, o português é a segunda língua. Elas vêm de países como a Bolívia, Afeganistão, Paquistão e até Bangladesh. A Bitita e seu diretor já foram premiados, inclusive pela Unesco.

Assim como no vexame de Trump com os pinguins, os burocratas das planilhas são irredutíveis. A Secretaria de Educação explicou-se, informando que está investido R$ 2,7 milhões na escola, mas a sanção da reciclagem persistiu, com um precioso palavrório:

“A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) informa que seis diretores efetivos foram afastados desde o ano passado com base nos critérios estabelecidos pela resolução nº 12, de 23 de janeiro de 2025 (que altera a resolução Seduc nº 4, de 19 de janeiro de 2024). A normativa regulamenta o processo de avaliação de desempenho dos diretores da rede estadual, conforme previsto desde 2022, pela lei 1.374, de 30 de março.”

Puro blablablá. O caso da Bitita expôs um compreensível ponto cego de um mecanismo de aferição. Em geral ele aponta reais deficiências das escolas, mas Bitita lida com crianças que vivem em condições especiais, assim como os pinguins da Austrália. Nada custaria reconhecer a demasia, zero a zero e bola ao centro. Como os burocratas são irredutíveis, os pinguins continuam taxados e a Bitita, sancionada.

Covardia nos vestibulares

O repórter Gustavo Gonçalves mostrou que mais de dez universidades marcaram datas coincidentes para a realização de seus vestibulares. Pura covardia contra jovens que são obrigados a jogar um ano de suas vidas em algumas manhãs de exames.

Com a superposição dos exames, os candidatos ficam com suas opções limitadas. Pouco custaria que esses calendários fossem organizados facilitando a vida dos jovens.

Quem conhece as mesquinharias das rivalidades acadêmicas assegura que já houve casos em que uma universidade provocava as coincidências de datas para prejudicar instituições rivais.



Fonte ==> Folha SP

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