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Supremo Fardo Federal – 17/04/2026 – Demétrio Magnoli

Ministros do Supremo Tribunal Federal em pé ao redor do plenário, com parede de fundo em relevo e crucifixo central. Ambiente amplo com iluminação no teto e bandeira do Brasil à esquerda.

Alessandro Vieira cometeu um erro político crasso no seu relatório da CPI do Crime Organizado. Conduzido pelo orgulho ou pela indignação, maus conselheiros, enveredou por desvio de finalidade para propor o indiciamento de ministros do STF e do omisso PGR. Mas Vieira, senador sério e competente, não é um provocador bolsonarista: seu equívoco reflete a repulsa geral provocada pelo comportamento dos juízes que se pretendem imunes ao escrutínio público.

Bem pior que o relatório foi a reação de Gilmar Mendes e Toffoli. Suas ameaças de cassar ou tornar inelegível o senador, proferidas em tom odiento, devem ser lidas como expressões autoritárias de desespero. Falta-lhes espinha dorsal quando proferem bravatas destituídas de amparo jurídico ou viabilidade política. Falta-lhes espelho quando acusam o acusador de abuso de autoridade. Só não ocupam –ainda!– o lugar de investigados porque o Brasil resiste bravamente ao princípio da igualdade perante a lei.

Supremo Fardo Federal. Incapaz de conciliar palavras e gestos, Fachin rendeu-se uma vez mais à infâmia corporativista, saindo na defesa do indefensável. Moraes não explicará os telefonemas a Vorcaro ou o contrato das mil e uma noites de sua esposa? Toffoli seguirá tergiversando sobre seus negócios imobiliários com os fundos de araque inventados pelo financista da pirâmide? Ninguém justificará as caronas em jatinhos adquiridos por rotas criminosas?

Paradoxo: o STF converteu-se, aos olhos do público, em símbolo da ilegalidade impune. Quem nos salvará de nossos salvadores?

Lula carregou, dessa vez, o fardo federal, manobrando na CPI para derrubar o relatório desmiolado. Segundo uma versão, o resgate providenciado pelo Planalto decorreu de um pacto profano com o centrão, firmado em conciliábulo à meia voz com Alcolumbre. À sombra do caso Master, articula-se uma sociedade de ajuda mútua que se projeta ideologicamente da direita à esquerda e, institucionalmente, do Congresso ao STF. O Brasil político debate-se num lamaçal.

A versão alternativa interpreta o resgate como necessidade imposta pelo objetivo lulista de preservar, num eventual novo mandato, a aliança com o Partido do Supremo. Conformado com outra derrota no pleito para o Congresso, o Planalto pretenderia seguir governando sob o amparo de intensa atividade legislativa dos juízes de capa preta. Seria uma extensão da excepcionalidade perene decretada desde que Bolsonaro engajou-se na aventura do golpe de Estado –e, nesse passo, mais uma volta do parafuso da politização do STF.

O risco salta à vista. Lula tentou descolar-se dos juízes desmoralizados por meio de críticas públicas a Toffoli e Moraes. A crise do relatório interrompeu sua operação no pior momento, quando as sondagens eleitorais revelam perigoso empate técnico. A direita, tão ou mais envolvida no caso Master que a esquerda, celebra um cenário no qual o fardo pesa sobre as costas dos outros.

A solução institucional depende de iniciativas ousadas de Fachin, que precisaria obter maioria entre os pares para autorizar investigações dos colegas implicados. Como ele se recusa a arremeter contra a muralha corporativa, sobra a solução institucional traumática, depois da eleição, pela via do Senado. Nesse meio tempo, o STF faz campanha involuntária para um candidato chamado Bolsonaro.



Fonte ==> Folha SP

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