28/01/2026
A exportação de serviços tecnológicos de alto valor agregado tem se consolidado como um dos caminhos mais relevantes para a inserção do Brasil na indústria global. Em um cenário em que competitividade industrial depende cada vez mais de eficiência operacional, digitalização e gestão inteligente de ativos, profissionais brasileiros passaram a ocupar espaço estratégico em projetos internacionais, levando conhecimento técnico desenvolvido ao longo de décadas de atuação no país.
O avanço da gestão de ativos empresariais, conhecida como Enterprise Asset Management, tornou se peça central para grandes indústrias nos setores de energia, mineração, telecomunicações e infraestrutura. Essas soluções permitem controlar o ciclo de vida completo de equipamentos críticos, integrar dados operacionais e financeiros e reduzir riscos associados a falhas e paradas não programadas. A demanda por especialistas capazes de implementar e adaptar essas plataformas em diferentes contextos culturais e regulatórios abriu espaço para a atuação internacional de consultores brasileiros.
A experiência acumulada em grandes projetos nacionais funciona como base para essa expansão. Profissionais que atuaram em empresas de grande porte no Brasil passaram a ser requisitados em mercados externos pela capacidade de lidar com ambientes complexos, ativos de alta criticidade e operações em larga escala. Esse movimento contribui para reposicionar o Brasil não apenas como consumidor de tecnologia, mas como fornecedor de soluções e conhecimento especializado.
A trajetória do consultor e empresário Janse Romero Borcari ilustra esse processo de internacionalização técnica. Com atuação em projetos de gestão de ativos no Brasil e no exterior, ele participou da implementação de soluções em empresas na América do Norte, Europa, Oriente Médio e Oceania. Segundo Janse, a exportação de serviços de tecnologia exige mais do que domínio de ferramentas. É necessário compreender processos industriais, gestão de mudanças e integração entre áreas para que a tecnologia gere resultados reais nas operações.

Janse Romero Borcari
Outro fator que impulsiona esse movimento é o modelo de atuação nearshore. Empresas brasileiras passaram a oferecer serviços especializados para indústrias estrangeiras a partir do país, combinando custo competitivo com alto nível técnico. Esse formato amplia a escala de atuação dos consultores, fortalece o ecossistema nacional de tecnologia e gera impacto econômico indireto por meio da criação de empregos qualificados.
A presença de profissionais brasileiros em projetos internacionais também contribui para a transferência de conhecimento de volta ao país. Experiências em mercados mais maduros permitem a incorporação de boas práticas, metodologias e padrões de governança que elevam o nível dos projetos executados em território nacional. Esse intercâmbio fortalece a indústria brasileira e amplia sua capacidade de competir globalmente.
À medida que a transformação digital avança no setor industrial, a exportação de conhecimento técnico tende a ganhar ainda mais relevância. A atuação de profissionais brasileiros em projetos globais demonstra que o país possui capital humano capaz de entregar soluções complexas em ambientes de alta exigência. O fortalecimento dessa presença internacional indica um caminho sustentável para a inserção do Brasil na economia industrial global baseada em tecnologia, eficiência e gestão inteligente de ativos.

Karoline Kantovick
Jornalista, pós-graduada em Marketing Digital e mestranda em Comunicação, atua há 14 anos com assessoria de imprensa. Ao longo da carreira, já atendeu mais de 300 contas em diferentes segmentos, desenvolvendo estratégias de visibilidade e relacionamento com a mídia.