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Proibido, atacado e sob forte calor, o Carnaval resiste – 03/03/2025 – Alvaro Costa e Silva

A imagem mostra uma grande multidão participando de um desfile de carnaval. Há pessoas vestidas de forma colorida e fantasias variadas, incluindo um homem com um chapéu de palha e uma camiseta decorada. Ao fundo, há carros alegóricos e figuras grandes, como um boneco gigante com cabelo vermelho e óculos. A atmosfera é festiva, com muitos participantes sorrindo e dançando.

O Carnaval é uma festa móvel e onívora que se renova a cada fevereiro ou março, apesar daqueles que não gostam dele (e têm o direito de não gostar), das pessoas que o atacam preconceituosamente e de quem o proíbe, como o prefeito de Porto Alegre.

No processo de modernização permanente é inevitável um olhar ao passado para rever as tradições. O que não significa abraçar os saudosistas, gente para as quais o melhor não volta: as marchinhas do Nássara, os sambas do Império Serrano, os blocos de sujos, o Baile do Havaí no Iate Clube de Botafogo (onde, diz a lenda, a certa hora ouvia-se a ordem: “Todo mundo nu pulando na piscina!”).

Depois das fanfarras, com instrumentos de sopro e percussão, no Rio ressuscitaram os Gorilas de Saco, já habituais nas zonas norte e oeste e, daqui a pouco, na zona sul, que sempre chega atrasada. Animal noturno e assustador, bicho-papão da criançada, é rival dos Clóvis, os bate-bolas surgidos nos anos 1930, com roupa bufante, máscara e bola de borracha.

Imagine o calor que sente o Clóvis dentro da fantasia. Com o Gorila, o sufoco é ainda maior. A caracterização da figura exige, além da máscara, um casaco e uma calça, nos quais são feitos furos para acomodar milhares de tiras de sacolas plásticas. Pobre e louco Gorila, em busca de diversão na cidade que em fevereiro registrou 44ºC, a mais alta temperatura desde 2014, e em que a sensação térmica bate recordes. Não veio nem uma chuvinha para animar a avenida.

“Allah-la-ô, ô ô ô ô ô ô/ Mas que calor, ô ô ô ô ô ô”. O de 2025 será lembrado como o Carnaval da ferveção, e não pelo entusiasmo, que está mais ou menos igual ao de anos anteriores. Com a crise do clima – algo que não existe, segundo o zap da titia –, o folião fez o inimaginável para se oxigenar. Não deixou de cantar e brincar, mas o cansaço e a ressaca bateram mais cedo.

Até entre a turma que não pula, apenas observa os outros pularem, notei uma mudança no visual. Estavam todos de camiseta regata. Pode ser de mau gosto, mas refresca.



Fonte ==> Folha SP

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