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O que de pior pode acontecer a uma ação de R$ 0,01? – 02/04/2025 – Marcos de Vasconcellos

Um homem está sentado em frente a múltiplos monitores que exibem gráficos e dados financeiros. Ele tem as mãos cobrindo o rosto, demonstrando estresse ou preocupação. O ambiente parece ser uma sala de operações financeiras.

O caso PDG Realty, que comentei na última semana, trouxe a resposta para uma pergunta muito comum para investidores que usam a Bolsa para “apostar” em zebras: o que de pior pode acontecer a uma empresa cuja ação custa um centavo?

No caso da PDG, a divulgação de um documento falso e suspeitas de manipulação de mercado podem levar a investigações e punições que atrapalharam ainda mais o reerguimento de uma antiga gigante da construção civil. Tanto no preço de suas ações quanto na economia real.

Desde que saiu da recuperação judicial, em 2021, a empresa tem recebido aportes de capital para lidar com as dívidas, fazendo com que suas ações sejam mais e mais diluídas. Possivelmente, haverá um novo grupamento de ações (quando juntam vários papéis em um, que passa a valer o preço do conjunto) e, depois disso, haverá espaço para o preço cair novamente, já que não estará mais no patamar mínimo de um centavo.

Sair de uma recuperação judicial é uma tarefa hercúlea. Erguer-se e retomar o crescimento depois disso é ainda mais duro. Esse desafio ficará marcado em nossa economia nos próximos anos, visto que o Brasil registrou recorde no número de pedidos de recuperação, em 2024.

Segundo dados da Serasa Experian, 2.273 companhias recorreram a esse mecanismo para evitar a falência, um aumento de 61,8% em relação a 2023. Hoje, mais de 20 companhias abertas buscam salvação por esse mecanismo, segundo a B3.

Na Bolsa, o último ano será lembrado pela entrada em recuperação judicial de empresas tradicionais, como a Light e a Oi (que apelou ao instituto pela segunda vez), bem como de novatas, como a Agrogalaxy, cuja oferta inicial ações (IPO) data de 2021. Suas ações, LGT3, OIBR3 e AGXY3, respectivamente, são negociadas em patamares baixíssimos.

É o mesmo que acontece com os papéis da Americanas (AMER3), que, você deve se lembrar, entrou em recuperação depois de ser responsável por uma fraude bilionária que abalou todo o nosso mercado de crédito.

Investir em empresas em recuperação pode ser uma oportunidade, pois os preços dos ativos costumam estar muito baixos, mas os riscos são consideráveis e exigem profundo conhecimento do mercado.

Mesmo que a empresa consiga se reestruturar, o processo pode levar anos até se refletir no preço das ações. Além disso, há o risco de diluição de capital para os acionistas que já possuíam papéis da empresa antes da recuperação.

Existe ainda outro fator pouco comentado: a atuação dos fundos chamados de abutres. Esses fundos “operam” recuperações, comprando créditos de credores das empresas em dificuldade, por preços muito abaixo do valor de face. O objetivo pode ser reivindicar bens da empresa ou até mesmo influenciar as negociações da recuperação judicial, buscando maximizar seus ganhos.

O impacto desses fundos pode ser brutal. Em alguns casos, eles acabam “depenando” a companhia, desmontando ativos para revendê-los separadamente.

Ao mesmo tempo que são ameaças para acionistas, os fundos também representam oportunidades de investimento de alto risco, pois, ao assumirem créditos depreciados, podem obter retornos expressivos quando conseguem fazer valer suas reivindicações.

Analisar todos os lados e teses envolvidos em uma empresa em recuperação judicial pode trazer mais do que uma resposta para investidores atentos.



Fonte ==> Folha SP

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