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Retificação do Tietê ainda causa polêmica – 03/04/2025 – Andanças na metrópole

A imagem mostra uma vista aérea de um rio sinuoso cercado por densa vegetação verde. O rio apresenta curvas suaves e é rodeado por áreas de vegetação variada, incluindo árvores e arbustos. Na parte inferior da imagem, há uma estrada que se estende ao longo da margem do rio.

O Tietê, principal rio de São Paulo, era cheio de curvas, sinuoso, lindo, mas em meados do século passado foi retificado e virou o que conhecemos hoje. Perdeu as várzeas e sua extensão, no trecho em que perdeu os meandros, caiu de 56 km para 27 km. A velocidade das águas aumentou pouco, ao contrário do esgoto e do assoreamento.

Tudo foi feito para conter inundações e implantar, dos dois lados do rio, largas avenidas marginais, com o objetivo de facilitar o aumento da circulação de carros. A indústria automobilística se instalava no Brasil e suas vendas não paravam de crescer. Os investidores imobiliários também estavam de olho nas várzeas. Cerca de 17 milhões de metros quadrados de terrenos inundáveis estariam destinados a construções.

A retificação é uma obra que até hoje causa polêmica, por causa de seu impacto ambiental e por não ter alcançado um de seus objetivos principais: acabar com as enchentes.

Com as curvas, argumentavam os engenheiros na época, a água não corria e só subia, inundando a várzea. Com a reta, o rio continuou cobrando seu espaço. O crescimento exponencial do esgoto urbano só piorou a situação, aumentando o assoreamento e diminuindo a vazão.

Pensado para preparar São Paulo para o crescimento e para atender os interesses das empreiteiras e do mercado imobiliário, o projeto se baseou somente em ideias desenvolvimentistas e higienistas e ignorou a força da natureza e o saneamento básico.

Outra crítica se refere à implantação das marginais, que ficaram muito próximas do Tietê, impedindo que a população tivesse uma área de lazer, como acontecia no passado. A cidade ficou de costas para o rio. De qualquer forma, a poluição o tornou inviável para a pesca e para o banho, por exemplo.

As primeiras ideias sobre a retificação começaram a surgir no final do século 19. As margens encharcadas já eram vistas como um limite para a urbanização e um problema de saúde pública. Em 1927 é criada a Comissão de Melhoramentos do Tietê, chefiada pelo engenheiro João Florence de Ulhôa Cintra, e a obra vira um projeto de governo.

Em 1930, o prefeito José Pires do Rio publica o Plano de Avenidas, feito pelo engenheiro e chefe da Secretaria de Viação e Obras Públicas, Francisco Prestes Maia, junto com Ulhôa Cintra. Nesse projeto estava prevista uma configuração radioconcêntrica para São Paulo, com vias radiais e perimetrais, inspirada em cidades como Paris e Berlim.

O Plano de Avenidas só vira realidade quando Maia é nomeado prefeito, em 1938. Ele abriu várias novas grandes vias em São Paulo, como a 9 de Julho e a Radial Leste, mas só teve tempo de realizar a retificação do trecho do rio no bairro da Casa Verde.

Foi só nos anos 1950 que as obras foram aceleradas. A retificação completa aconteceria na década de 1960, quando o Tietê perdeu todas suas curvas entre as cidades de Guarulhos e Osasco. As marginais são inauguradas em 1969.

O Tietê tem a característica de ser um curso de água que corre para o interior. Nasce no município de Salesópolis, no meio da Serra do Mar, e desemboca no lago da barragem de Jupiá, no rio Paraná. É um caminho fundamental para o interior do Brasil.

É também belo em boa parte de sua extensão de 1,1 mil km. O problema está no trecho que cruza a capital. A retificação do Tietê e a construção das marginais acabaram com uma paisagem bucólica e verdejante. Agora só resta despoluir o rio.



Fonte ==> Folha SP

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