Search
Close this search box.
Search
Close this search box.

Analfabetismo funcional persistente é vexame nacional – 06/05/2025 – Opinião

A imagem mostra a parte superior da cabeça de uma pessoa idosa com cabelo grisalho, que está sentada em uma mesa. A pessoa está manipulando letras coloridas de espuma dispostas em uma superfície azul. Ao lado, há um objeto rosa e um recipiente metálico. O ambiente parece ser um espaço de atividades, com piso de pedra e algumas cadeiras ao fundo.

É vexatório que quase um terço dos brasileiros entre 15 e 64 anos viva no mundo das letras e dos números praticamente no escuro.

O índice de 29% de analfabetos funcionais nesse estrato em 2024 reflete a ineficiência histórica das três esferas de governo na gestão da educação, que impacta a qualidade de vida dos indivíduos e o desenvolvimento do país.

O Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), calculado pela ONG Ação Educativa, mostra queda do início da série história, em 2001, quando marcou 39%, até a estagnação em 27% entre 2009 e 2015. Depois houve alta para 30% em 2018 e, agora, uma redução pífia de um ponto percentual.

A categoria engloba desde os que não conseguem ler palavras ou um número de telefone (analfabetismo absoluto), que representam 7% no indicador recente, até os 22% que leem e escrevem, mas não compreendem textos longos nem fazem contas maiores (analfabetismo rudimentar).

Grande parte (65%) dos analfabetos funcionais está na faixa etária entre 40 e 65 anos. Mas a taxa de 17% tanto no estrato de 15 a 29 anos como no de 30 e 39 anos é também alarmante.

O Inaf mostra como a inaptidão em língua portuguesa e matemática ocorre entre os brasileiros que passaram pela rede de ensino. Entre os que concluíram os anos finais do ensino fundamental, a porcentagem é de 43%; entre os formados no ensino médio, 17%. E é impressionante que 12% dos diplomados no ensino superior estejam nessa condição.

Os números revelam que a redução do indicador no começo do século foi impulsionada pela expansão do acesso à educação. As escolas, contudo, não conseguem alavancar a aprendizagem, que há anos apresenta níveis precários em avaliações nacionais e internacionais. Um dos resultados é o flagelo da evasão escolar.

Aqueles que abandonam os estudos ficam desemparados. Um em cada cinco municípios (1.092 dos 5.500) não oferta vagas em Educação de Jovens e Adultos (EJA). Em 2024, o país atingiu o menor número de matrículas no programa (2,4 milhões) desde o começo da série histórica do Censo Escolar, em 1996.

É preciso eliminar gargalos no EJA e ampliar a modalidade de ensino integral, que eleva a carga horária das disciplinas tradicionais, como português e matemática, e permite ao aluno escolher áreas do conhecimento com base em suas aptidões, como o ensino técnico —que, segundo o Datafolha, desperta interesse significativo entre os jovens.

Trata-se de estabelecer políticas contínuas e independentes de ideologias. Sem isso, o Brasil continuará com a produtividade congelada —entre 2010 e 2023, ela cresceu ínfimo 0,3%, segundo cálculo da FGV— e, por consequência, lento no combate a desigualdades, ainda mais considerando o acelerado processo de envelhecimento da população.

Acima de tudo, retirar quase um terço desse estrato social da escuridão é dever civilizatório.

editoriais@grupofolha.com.br



Fonte ==> Folha SP

Relacionados

Principais notícias

O Retorno do Astro: Paulo Valenttin leva o glamour brasileiro de volta às terras do Tio Sam
A Transição Econômica de Parauapebas
TikTok diz ter impacto de mais de R$ 18 bilhões no PIB do Brasil

Leia mais

Copa 2026: jogos desta quinta-feira definem grupos D, E e F
Copa 2026: jogos desta quinta-feira definem grupos D, E e F
Celular sem espaço? Veja os aplicativos que você pode apagar
Oracle corta 21 mil empregos e intensifica aposta em IA
Fotógrafo é sequestrado e queimado após ser vítima de golpe do amor em SP
Governo Lula inclui estupro virtual no Ligue 180 após alta nos casos de violência na internet
Uber atualiza lista de carros aceitos no Black e Comfort; veja mudanças para 2027
Uber atualiza lista de carros aceitos no Black e Comfort; veja mudanças para 2027
Giovanna Lancellotti processa Google após nome aparecer associado a sites pornográficos
Giovanna Lancellotti processa Google após nome aparecer associado a sites pornográficos
37 fintechs sem autorização do BC movimentam maior parte de recursos de bets ilegais
37 fintechs sem autorização do BC movimentam maior parte de recursos de bets ilegais