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Há chance para a terceira via? – 16/03/2026 – Hélio Schwartsman

Dois homens em trajes formais falam em microfones. O homem à esquerda tem cabelo e barba grisalhos, veste terno escuro com gravata vermelha e sorri. O homem à direita usa óculos, terno azul e gravata azul clara, e gesticula com a mão direita.

Como sempre digo, tudo o que não é proibido pelas leis da física pode acontecer. Não sou eu, portanto, quem vai cravar que uma candidatura da chamada terceira via está fadada ao fracasso. Receio, porém, que não sejam grandes as chances de algum postulante não identificado nem com o governismo nem com o bolsonarismo romper a polarização.

O destaque da última leva de pesquisas eleitorais foi o empate, técnico ou numérico, entre Lula e Flávio Bolsonaro nas simulações de segundo turno. No Datafolha, o petista ficou com 46% contra 43% do primogênito do ex-presidente que cumpre pena por golpe. A margem de erro é de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Mas o que me chamou mesmo a atenção no levantamento foi que Ratinho Jr., que não é tão conhecido fora do Paraná e do círculo dos muito interessados em política, tenha um desempenho não muito diferente do de Flávio. Num putativo segundo turno com Lula, o governador do Paraná marcaria 41% contra 45% do presidente.

Minha leitura é que vai pintando um quadro em que brasileiros nos dividiremos entre os que farão qualquer coisa para evitar que um Bolsonaro volte a subir a rampa do Palácio do Planalto e os que topam tudo para tirar o PT desse mesmo logradouro. E essa é uma dinâmica difícil de quebrar porque nossos cérebros, moldados no Pleistoceno, se empenham mais em evitar o que percebem como perigo do que em promover o que julgam ser positivo. Experimentos de economia comportamental mostram que a aversão ao risco é uma força psicológica duas vezes mais poderosa do que o desejo por recompensa de mesmo valor. O medo motiva mais que a esperança.

O interessante é que há um remédio matemático que nos ajudaria a superar a polarização. Poderíamos trocar a eleição em dois turnos, que, aliás, estimula a polarização, por um sistema de votação valorativo (em que o eleitor dá notas aos candidatos) ou preferencial (em que os ranqueia). Mas não vejo chance de isso acontecer. Por aqui, desconfia-se até da urna eletrônica.



Fonte ==> Folha SP

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