Como haviam feito com o tarifaço —depois se arrependeram, escondendo o boné Maga—, direita e extrema direita se deliciaram com o argumento de equiparar traficantes a terroristas. A denominação narcoterrorista, adotada por Donald Trump e seus seguidores, como Nayib Bukele, o ditador “cool” de El Salvador, logo foi copiada pelos agentes de segurança do Rio de Janeiro. Serviu para embalar a chacina do Alemão e da Penha. Realizada em outubro, a operação deixou mais de cem mortos, sem alterar a situação nas duas comunidades, cujos territórios continuam ocupados. O alcance midiático, no entanto, foi um sucesso.
A lei antiterrorismo no Brasil exige motivação política ou ideológica. Desestabilizar ou derrubar o governo. Apesar de conseguirem se infiltrar nas instituições e dominar com violência áreas em que o Estado é ausente, PCC e CV visam lucro financeiro —não apenas com a venda de drogas. Sobretudo com a exploração de postos de gasolina, empresas de construção e de transporte público, igrejas, fundos de investimentos, mineração, coleta de lixo, casas de apostas.
Entre as organizações criminosas devem ser incluídas as milícias, que negociam drogas e são tão ou mais perigosas que PCC e CV. Milicianos até se parecem mais com terroristas, fazendo pressão para eleger certos candidatos. Do alto de sua santa e muitas vezes fingida ignorância, o que sabe e propõe o presidente dos Estados Unidos sobre as milícias? Ele conhece Rio das Pedras?
Supondo que possa haver uma verdadeira colaboração com o governo Lula no combate ao crime, está claro que no momento as prioridades de Trump são outras: achatar a democracia no próprio país e promover uma crise mundial no fornecimento de petróleo com a guerra de “fúria épica” contra o Irã. Depois de anexar a Venezuela e estrangular Cuba, é provável que chegue a hora do Brasil.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, torce pela interferência norte-americana nas eleições de outubro. “Trump vai ajudar Flávio Bolsonaro“, garantiu ele, patrioticamente.
Fonte ==> Folha SP