Search
Close this search box.
Search
Close this search box.

Invisibilidade não é opção: a voz indígena que rompeu o silêncio na CSW70

Jovem mulher indígena com cocar tradicional segura faixa denunciando a violência contra mulheres indígenas durante evento internacional.
Naiá Tupinambá leva à CSW70 um alerta incontornável: a violência contra mulheres indígenas segue invisibilizada — e ignorar isso também é uma forma de violência.

Na 70ª Sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher da ONU (CSW70), a jovem indígena Naiá Tupinambá, de apenas 22 anos, foi a única mulher indígena da delegação brasileira. Sua presença bem mais do que representativa, se constituiu em um ato de resistência e de afirmação, de que não existe política global de igualdade de gênero sem mulheres indígenas.

Durante a reunião de alinhamento da delegação, Naiá fez uma intervenção necessária: denunciou a invisibilidade das mulheres indígenas nas agendas globais e lembrou que, quando esses espaços desaparecem, desaparece também a possibilidade de que o mundo escute quem vive essas realidades.

Os números apresentados por Naiá são alarmantes e incontornáveis:

  • +500% no assassinato de mulheres e meninas indígenas nas últimas duas décadas.
  • +258% de aumento na violência contra mulheres indígenas — 51% acima da taxa nacional.
  • +297% de aumento na violência sexual — 109% acima da média nacional.
  • 50% das vítimas de violência sexual são meninas indígenas com menos de 14 anos.

Esses dados revelam uma tragédia silenciosa, que raramente ganha visibilidade nos grandes fóruns internacionais. Ao trazer essa pauta para a CSW70, Naiá disputou narrativas e reafirmou uma verdade simples, mas urgente: não existe igualdade de gênero sem mulheres indígenas.

Sua trajetória também é marcada pela ancestralidade e pela força de sua mãe, sobrevivente de abusos e exploração, que transformou dor em coragem e ensinou às filhas o significado da resistência. Ao se manifestar em inglês, com firmeza e fluência, Naiá mostrou que a juventude indígena não apenas ocupa espaço, mas redefine narrativas.

“A violência simbólica, embora não abra feridas nem deixe hematomas, é tão prejudicial quanto a direta.” — Naiá Tupinambá

O impacto de sua participação vai além da CSW70. É um chamado à consciência internacional: incluir mulheres indígenas não é concessão, é condição indispensável para qualquer projeto sério de justiça social e equidade.

Na CSW70, lado a lado com Naiá Tupinambá, ratificamos: invisibilidade não é opção para as mulheres indígenas.

Que a voz de Naiá Tupinambá ecoe como memória viva da terra e como alerta contra todas as formas de violência, visíveis ou invisíveis.

Relacionados

Principais notícias

Jornalista denuncia perseguição e diz viver escalada de pressão após críticas ao poder público em Barcarena
Os 50 jornalistas mais influentes do Brasil em 2026, divididos por região
Os 10 maiores aplicativos de mobilidade urbana do Brasil em 2026

Leia mais

Abel é empurrado do Palmeiras para o Sporting: "Pago e levo-o algemado"
Abel é empurrado do Palmeiras para o Sporting: "Pago e levo-o algemado"
Câncer: estudo alerta para riscos de melanoma fora da pele
Câncer: estudo alerta para riscos de melanoma fora da pele
Dois anos depois, Corinthians e São Paulo decidem Brasileiro Feminino
Dois anos depois, Corinthians e São Paulo decidem Brasileiro Feminino
Nos EUA, Lula volta a chamar Trump de imperador e critica ataques à soberania
Nos EUA, Lula volta a chamar Trump de imperador e critica ataques à soberania
Não deixam qualquer pessoa entrar na sua vida! Os 3 signos mais seletivos
Não deixam qualquer pessoa entrar na sua vida! Os 3 signos mais seletivos
5 alimentos que nunca deve guardar na porta da geladeira
5 alimentos que nunca deve guardar na porta da geladeira