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Do paraíso de Darcy ao inferno de Lula no Senado – 02/04/2026 – Dora Kramer

Dois homens de perfil, um mais velho com cabelo branco e barba, outro mais jovem com cabelo escuro, ambos usando terno e gravata, em ambiente interno. Ao fundo, mulher de cabelos longos e roupa clara observa a cena.

Darcy Ribeiro (1922-1997) criou a frase célebre de comparação do Senado ao paraíso, na qual ressaltava a vantagem de se chegar ao Congresso sem o pré-requisito da morte. Celebrava o próprio mandato, conquistado em 1990 pelo Rio de Janeiro.

Luiz Inácio da Silva (PT) pareceu ecoar o conceito ao dizer que os senadores, “com mandato de oito anos”, se veem como deuses. Talvez a intenção tenha sido fazer a referência, mas a diferença entre o antropólogo e o presidente vai além das três décadas que separam os respectivos ditos. Há as circunstâncias.

Intelectual reconhecido com passagem tardia pela política, Darcy fez graça de uma Casa ainda lhana, de poucos embates e muitos confortos. Lula enfrenta embates em ambiente de oposição agressiva e animosidade do comandante do colegiado. O que lá atrás entrou para a história como chiste inspirado agora pode ter sido ouvido em tom de hostilidade.

O clima não permite tropeços. Há um presidente do Congresso disposto a confrontar prerrogativas. Do presidente da República —na indicação de ministro para o Supremo Tribunal Federal— e até dos próprios pares —na interdição de comissões de inquérito. Há também uma campanha eleitoral da direita concentrada em obter futura maioria no Senado, com a consequente tentativa de ocupar a presidência do Parlamento.

Ao oficializar a escolha de Jorge Messias sem informar previamente Davi Alcolumbre, e enviar a mensagem na incerteza da existência de votos para aprovação, Lula reafirmou sua função constitucional de fazer a indicação e transferiu ao senador o ônus de manter o STF desfalcado pelo tempo que perdurar a pirraça.

Não por acaso o presidente do Senado já fez circular a ideia de que poderia adiar os trâmites para depois das eleições. Mesmo tendo sido só ameaça, Alcolumbre quis se referir ao resultado do primeiro turno, do qual já sai o desenho da nova correlação de forças no Senado, e insinuar que haja aí um grau a mais de dificuldade para Lula na etapa final.



Fonte ==> Folha SP

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