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IA na PME: por que o empresário está terceirizando a decisão mais estratégica da década para o fornecedor de tecnologia?

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Especialista alerta que pequenas e médias empresas estão adotando inteligência artificial sem governança, sem direcionamento estratégico e sob forte influência dos próprios fornecedores de tecnologia

A inteligência artificial já entrou na rotina das pequenas e médias empresas brasileiras. Ferramentas para automação, produtividade, atendimento e análise de dados se multiplicam em velocidade recorde. Mas, na prática, grande parte das PMEs está adotando IA sem qualquer estrutura estratégica de decisão e isso pode custar caro nos próximos anos.

Segundo a conselheira consultiva para PMEs e executiva de tecnologia Valéria Vargas, muitas empresas estão entregando uma das decisões mais relevantes da década diretamente nas mãos do fornecedor de tecnologia.

“Adoção de IA não garante captura de valor. Uso de IA não é resultado. E quem confunde os dois paga a conta cara depois. E perde o timing do mercado”, afirma.

Com mais de 30 anos de experiência em grandes empresas, operações críticas e ambientes altamente regulados, Valéria observa que o movimento de adoção acelerada vem acontecendo sem governança, sem direcionamento executivo e, principalmente, sem conexão real com a estratégia do negócio.

Na avaliação da especialista, a discussão sobre IA ainda permanece excessivamente concentrada nas áreas técnicas ou operacionais, quando deveria estar diretamente na pauta do CEO, do fundador e dos conselhos consultivos.

“A IA não é mais uma decisão de software. É uma decisão de negócio, competitividade e sobrevivência. Quem define como a empresa vai usar inteligência artificial está, na prática, definindo margem, eficiência, modelo operacional e capacidade futura de competir”, explica.

O problema, segundo ela, é que muitas PMEs sequer possuem maturidade para avaliar riscos, impactos financeiros ou critérios de priorização antes de contratar soluções de IA. Em muitos casos, a própria empresa fornecedora acaba conduzindo toda a narrativa estratégica.

“Existe um risco enorme de captura da decisão pelo fornecedor. A empresa terceiriza o pensamento estratégico sem perceber. E quando isso acontece, a tecnologia deixa de servir ao negócio e o negócio passa a operar em função da tecnologia contratada”, alerta.

Outro ponto crítico está na ausência de visão técnica independente dentro dos conselhos consultivos. Para Valéria, muitos conselhos ainda são formados exclusivamente por especialistas financeiros, jurídicos e comerciais, sem uma cadeira dedicada à tecnologia e inovação.

“Hoje, um conselho sem visão estratégica de tecnologia está incompleto. Não porque precise discutir ferramenta, mas porque precisa entender impacto, risco, dependência, governança e geração de valor”, destaca.

Ela ressalta que a inteligência artificial pode, sim, gerar ganhos expressivos para PMEs, desde que exista clareza sobre quais problemas do negócio precisam ser resolvidos primeiro.

“A pergunta não deveria ser ‘qual IA vamos comprar?’. A pergunta correta é: ‘qual gargalo do negócio precisa ser resolvido agora e qual tecnologia realmente gera vantagem competitiva nisso?’”, pontua.

Para a especialista, as empresas que vão capturar valor real com IA não serão necessariamente as que mais investirem em ferramentas, mas as que conseguirem transformar tecnologia em decisão estratégica.

“Toda a minha trajetória é pautada por uma convicção: tecnologia é o backbone do negócio. Tratá-la como suporte é o que separa quem decide de quem reage. E é nessa fronteira que eu trabalho, aportando olhar técnico independente para orientar decisões de negócio”, conclui Valéria Vargas.

Valéria Vargas é conselheira consultiva para PMEs e executiva de tecnologia com mais de 30 anos de experiência em grandes empresas com ecossistemas tecnológicos complexos, operações críticas e ambientes altamente regulados. Atua apoiando empresários e conselhos na tomada de decisões estratégicas envolvendo tecnologia, governança e inovação.

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