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O loteamento do futuro: tecnologia, IA e clima extremo mudam a engenharia urbana

Antes associado apenas à venda de terrenos, setor passa a exigir análise de dados, drenagem resiliente, licenciamento ambiental e planejamento urbano capaz de responder a eventos climáticos cada vez mais severos

O loteamento urbano deixou de ser apenas a divisão de uma gleba em terrenos. Em um país pressionado por déficit habitacional, expansão das cidades médias e eventos climáticos extremos, o setor passa por uma transformação silenciosa: vender terra já não basta. É preciso projetar infraestrutura, antecipar riscos e entregar cidade.

A mudança ocorre em um momento em que a adaptação climática ganhou centralidade no debate urbano. O Plano Setorial de Cidades, do governo federal, aponta a necessidade de integrar políticas públicas de adaptação à mudança do clima, fortalecendo a resiliência urbana e reduzindo vulnerabilidades.

Na prática, isso altera a lógica de novos empreendimentos. Estudos de drenagem, análise geotécnica, preservação de áreas verdes, redes de água e esgoto, pavimentação, iluminação e mobilidade interna passam a ser elementos centrais do projeto, não acessórios de obra.

É nesse cenário que profissionais com formação técnica e visão empresarial ganham espaço. O engenheiro civil Amauri Ferrari Bacos, formado pela Universidade Mackenzie, atua na implantação e comercialização de loteamentos residenciais por meio da Silver Imóveis e Administração. “Estudo de viabilidade, análise de mercado, aspectos legais, planejamento urbanístico, infraestrutura básica, impacto ambiental, aprovação do projeto, execução de obras, regularização, comercialização e pós-venda são etapas imprescindíveis para que o loteamento aconteça com sucesso”, declara o engenheiro.

A lista parece burocrática. Mas é justamente nela que mora o futuro do setor.

Com chuvas mais intensas, drenagem urbana se tornou uma das palavras-chave da engenharia contemporânea. Estudo do Ipea sobre governança da drenagem urbana e resiliência climática classifica o tema como estratégico para a adaptação das cidades brasileiras às mudanças do clima.

A inteligência artificial entra nessa equação como ferramenta de apoio à decisão. No mercado imobiliário, seu uso já aparece em análise de dados, automação de projetos, estudos de viabilidade, projeções de vendas e avaliação de tendências de ocupação urbana segundo debates promovidos por entidades do setor.

No caso dos loteamentos, a tecnologia pode ajudar a cruzar informações sobre solo, topografia, legislação, demanda regional, infraestrutura disponível e risco climático. O ganho está menos em substituir o engenheiro e mais em ampliar a capacidade de leitura.

Amauri Bacos reúne essa dupla camada: formação técnica e experiência de mercado. A Silver lista empreendimentos implantados ou em implantação em cidades como Francisco Morato, Caieiras, Franco da Rocha, Campo Limpo Paulista, São José dos Campos, Mongaguá, Guarulhos, Diadema e Itanhaém, somando milhares de lotes.

O loteamento do futuro, portanto, não será definido apenas pelo preço do metro quadrado. Será medido pela capacidade de resistir ao clima, dialogar com a cidade, cumprir a legislação e gerar valor urbano de longo prazo.

“A era do “abre rua e vende lote” ficou para trás. Ainda bem. Cidade não pode ser improviso com CEP”, finaliza Bacos.

 

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