Search
Close this search box.
Search
Close this search box.

O que acontece entre o primeiro emprego e a cadeira de diretor? Livro revela as escolhas que constroem uma carreira

Luciano Fontinele, autor do livro De Caixa de Supermercado a Diretor Executivo, aparece em ambiente corporativo, sentado à mesa, ao lado de sua obra sobre carreira e liderança.
Luciano Fontinele, executivo com 29 anos de experiência em Supply Chain, Logística e Operações, apresenta no livro De Caixa de Supermercado a Diretor Executivo reflexões sobre liderança, comportamento e as escolhas que influenciam a ascensão profissional.

“De Caixa de Supermercado a Diretor Executivo” coloca comportamento, preparo e integridade no centro da ascensão profissional, com lições para quem busca crescer e para quem escolhe os próximos líderes.

Por Luciano Fontinele

Uma promoção pode ser decidida muito antes de uma vaga existir. Na maneira como um profissional reage a uma crítica, no problema que assume sem precisar ser cobrado, no conhecimento que compartilha e nas escolhas que faz quando seus princípios são colocados à prova. É nesse cotidiano, pouco visível no currículo, que se concentra De Caixa de Supermercado a Diretor Executivo: O Manual para Ascender na Carreira, de Luciano Fontinele.

A obra amplia a conversa sobre crescimento profissional ao mostrar o que acontece entre a ambição de chegar mais longe e a capacidade de assumir responsabilidades maiores. Ao reunir experiências vividas, erros reconhecidos e ferramentas práticas, aproxima o debate sobre carreira das situações que profissionais e gestores enfrentam todos os dias.

O livro acompanha uma trajetória iniciada no caixa de um supermercado, mas seu interesse vai além da história de uma ascensão. Cada episódio abre espaço para o leitor examinar a própria conduta. Como se preparar para uma oportunidade? Quando insistir e quando mudar de ambiente? Como conquistar confiança sem recorrer à bajulação? E o que observar em alguém antes de colocá-lo à frente de uma equipe?

Uma das passagens mais reveladoras trata de uma promoção que não aconteceu. Anos depois, durante um café com um antigo gestor de Recursos Humanos, o autor ouviu que seu comportamento havia pesado contra a escolha. A dificuldade de lidar com questionamentos comprometia a percepção de que estava pronto para a diretoria.

Ao revisitar o episódio, Fontinele reconhece a necessidade de validação que havia por trás de suas reações. O reconhecimento do erro revela uma mudança de perspectiva: a mesma disposição para ser visto que ajudou no início da carreira precisava amadurecer para que ele pudesse avançar.

“Inteligência emocional, aprendi da forma mais cara possível, não é não sentir. É perceber o que você sente a tempo de escolher como agir”, escreve.

Essa reflexão atravessa a obra. A preparação para liderar envolve ouvir o contraditório, conduzir conversas difíceis e responder com firmeza sem transformar uma discussão de trabalho em confronto pessoal. São atitudes que influenciam a confiança depositada em um profissional, mesmo quando seus resultados técnicos são bons.

O livro também oferece elementos para quem recruta, avalia e promove pessoas. No capítulo dedicado à leitura, Fontinele conta que, ao analisar currículos e conduzir entrevistas, observa como o candidato organiza o que sabe quando precisa explicar. A clareza de raciocínio ganha lugar na avaliação, ao lado da experiência apresentada no papel.

Para a escolha de futuros líderes, a obra acrescenta outros critérios: demonstrar capacidade de assumir problemas mais complexos, continuar aprendendo e preparar alguém para dar continuidade ao trabalho. O profissional que concentra todo o conhecimento pode acabar dificultando a própria movimentação. Desenvolver a equipe, nessa perspectiva, faz parte do preparo para crescer.

Esses ensinamentos ajudam a qualificar a conversa sobre recrutamento e sucessão. Para quem decide, sugerem observar evidências de prontidão e a maneira como a pessoa trabalha com os outros. Para quem busca uma oportunidade, apontam a importância de construir essa preparação antes da entrevista ou do anúncio da vaga.

Há ainda uma inversão útil: o candidato também precisa avaliar a organização. Em uma das ferramentas propostas, o autor recomenda perguntar sobre um erro relevante cometido pela área e o que aconteceu com quem errou. A resposta pode oferecer pistas sobre a cultura que o profissional encontrará depois da contratação.

A ascensão defendida no livro também exige limites. No capítulo O errado sempre será errado, o autor relata uma situação em que precisou questionar um procedimento com o qual não concordava, apesar do respaldo de superiores. O episódio sustenta uma orientação direta: “Proteja o seu nome antes de proteger o seu cargo.”

É nesse ponto que o crescimento profissional ganha uma dimensão mais exigente. Preservar a reputação pode envolver desconforto, perda de conveniência e decisões cujos benefícios só aparecem mais tarde. A obra trata a integridade como parte das escolhas concretas de carreira, inclusive quando seguir adiante parece depender de aceitar uma exceção.

A leitura também alcança quem já ocupa posições de comando. No capítulo O escudo, a responsabilidade do líder aparece na disposição de responder pelos problemas e reconhecer publicamente quem contribuiu para os resultados. “Seja o escudo, nunca o holofote”, resume o texto.

A experiência que sustenta essas reflexões foi construída ao longo de 29 anos em Supply Chain, Logística e Operações. Hoje COO no setor de dispositivos médicos, Luciano Fontinele passou por grandes empresas nacionais e multinacionais. Sua trajetória inclui 14 anos na Via, responsável por Casas Bahia e Ponto Frio, além de experiências no Carrefour e atuação internacional no México e na Argentina.

Esse percurso dá contexto à obra, mas são as decisões relatadas, inclusive as equivocadas, que ajudam a compreender como o autor construiu sua visão sobre liderança. A experiência profissional aparece acompanhada de reflexões sobre erros, mudanças de comportamento e responsabilidades assumidas ao longo da carreira.

Fontinele prepara também Quem decide? A revolução da tomada de decisão em Supply Chain, ampliando para a gestão das operações uma preocupação presente no livro atual: a qualidade das escolhas e a responsabilidade de quem as assume.

Em De Caixa de Supermercado a Diretor Executivo, essa discussão começa antes de qualquer cargo de liderança. Começa no profissional que deseja crescer e precisa compreender o que deve aprender, como pretende agir e quais princípios quer preservar ao longo do caminho.


Sobre Luciano Fontinele

Luciano Fontinele é executivo com 29 anos de experiência em Supply Chain, Logística e Operações. Atualmente, ocupa o cargo de Chief Operating Officer (COO) no setor de dispositivos médicos. Sua trajetória inclui passagens por grandes empresas nacionais e multinacionais.


Relacionados

Principais notícias

Jornalista denuncia perseguição e diz viver escalada de pressão após críticas ao poder público em Barcarena
De Breves à Assembleia Legislativa: a trajetória de Luiz Rebelo e os desafios do desenvolvimento do Pará
Davi Cincoetti: livros, ciência e história e um Qi raro encontrado em apenas 0,2% da população mundial

Leia mais

Unidade da Funai é alvo de ataque em terra indígena no Paraná
Unidade da Funai é alvo de ataque em terra indígena no Paraná
Brasileiro chega a 19 técnicos demitidos
Brasileiro chega a 19 técnicos demitidos
Democratas acusam Trump de escalada contra Brasil após revogação de visto de embaixadora
Democratas acusam Trump de escalada contra Brasil após revogação de visto de embaixadora
Mulher que sobreviveu a injeções letais nos EUA está consciente e falando, dizem seus advogados
Mulher que sobreviveu a injeções letais nos EUA está consciente e falando, dizem seus advogados
Apple planeja lançar câmera de vigilância com IA e sem gravação de vídeo
Apple planeja lançar câmera de vigilância com IA e sem gravação de vídeo
Meta diz que veto do TSE a imagem de IA derrubou posts de ministros e militantes
Meta diz que veto do TSE a imagem de IA derrubou posts de ministros e militantes