Como transformar uma exigência regulatória em vantagem estratégica?
Por Armando Ribeiro*
Certa vez, um gestor de RH experiente e dedicado me disse: “Armando, meu time está no limite e não sei o que fazer com isso.”
Aquela frase me acompanhou por muito tempo porque eu sabia que ele estava descrevendo a realidade de centenas de gestores que sentem, percebem, se preocupam, mas que ainda não possuem a estrutura para agir com consistência.
A atualização da NR-1 exige a mudança deste cenário, pois a saúde mental virou responsabilidade da gestão.
A partir de agora, as empresas precisam identificar, acompanhar e mitigar riscos psicossociais relacionados ao trabalho dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). O RH ganha uma obrigação e também uma oportunidade real de atuar onde sempre soube que precisava.
Os números que sustentam a importância dessa atualização são relevantes.
A Deloitte aponta que problemas de saúde mental custam mais de US$ 1 trilhão por ano em perda de produtividade no mundo. Esse custo é construído dia a dia, quando ninguém percebe a tempo e as pessoas adoecem.
A OMS coloca ansiedade e depressão entre as principais causas de afastamento nas empresas. Transtornos mentais são, muitas vezes, invisíveis, difíceis de medir e desafiadores de reverter.
Mas existe o outro lado dessa equação. A McKinsey mostra que organizações que investem de forma estruturada em segurança psicológica e bem-estar apresentam níveis significativamente maiores de engajamento, retenção e performance.
Portanto, cuidar da saúde mental não é custo. É o que separa empresas que retêm pessoas das que perdem talentos sem entender o porquê. Por trás de cada número existe um colaborador que chegou ao limite, um gestor que não soube como ajudar e uma empresa que perdeu alguém bom porque o ambiente pesou mais do que a oportunidade.
Existe um elo que ainda é pouco discutido quando o tema é saúde mental nas empresas: a experiência do colaborador.
Pense comigo: um colaborador que não consegue acessar seus benefícios, não entende o que a empresa oferece, recebe informações desencontradas e precisa enfrentar processos burocráticos para resolver questões simples já chega ao trabalho desgastado, antes mesmo de começar o dia. Desgaste acumulado é risco psicossocial.
Dar clareza, acesso e autonomia para o colaborador é reduzir atritos invisíveis que corroem o bem-estar. É fortalecer o pertencimento e fazer com que a relação com o trabalho seja mais leve, fluida e humana.
O desafio agora é como o RH vai sustentar tudo isso, sem se sobrecarregar ainda mais operacionalmente, já que para cumprir a NR-1 é necessário muito mais do que boa intenção?
As empresas precisarão aplicar diagnósticos, acompanhar indicadores, estruturar planos de ação, promover conscientização e demonstrar capacidade real de mitigação de riscos psicossociais. Tudo isso de forma contínua e escalável.
Para um RH que já opera no limite, isso pode parecer mais uma montanha a escalar. É exatamente aí que a tecnologia deve entrar como aliada, simplificando a jornada.
No RH Digital entregamos o RH no celular do colaborador. Não como uma feature, mas como uma mudança real na forma como as pessoas se conectam.
Criamos a transformação digital plug and play e isso significa que o gestor pode implementar o RH Digital com liberdade, sem depender de uma TI sobrecarregada.
Essa mudança garante automação simultânea de benefícios, comunicação interna e conexão entre gestores e colaboradores. Tudo em um único ambiente, acessível pelo celular, funcionando de forma integrada e contínua, incluindo o que a atualização da NR-1 exige: pesquisas, trilhas de conscientização, conteúdos educativos e ações de acompanhamento de saúde mental.
Com isso, o RH deixa de operar processos fragmentados e ganha estrutura para acompanhar de forma organizada uma agenda que passa a exigir continuidade, atenção e capacidade real de gestão.
O resultado mais importante disso é devolver ao RH tempo e clareza para atuar de forma estratégica sobre temas que impactam diretamente a saúde mental.
Quando o gestor conquista esse espaço, ele passa a assumir um papel mais relevante na construção da experiência humana. Porque cuidar da saúde mental também significa criar ambientes mais organizados, acessíveis, transparentes e sustentáveis para as pessoas.
*Armando Ribeiro é CEO da Arista e da Beneo. Também é colunista do Mundo RH.