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Safra de inverno é menor, mas oferta de milho ainda é grande – 01/06/2026 – Vaivém

Várias espigas de milho maduras com folhas secas expostas em fileira, em plantação de milho sob céu azul com poucas nuvens.

O Brasil não repete neste ano a safrinha recorde que teve no período anterior, mas, apesar da queda na produção, o estoque de passagem —a sobra que vem da safra anterior— e a pouca competitividade brasileira no mercado externo garantem milho para o abastecimento interno. O país deve terminar esta safra, que vai até o final de janeiro de 2027, com estoques próximos ou até superiores aos 12,5 milhões de toneladas da anterior.

Os números esperados para a safra de inverno, próximos de 109 milhões de toneladas, não devem ser atingidos, uma vez que Goiás e Minas Gerais, estados importantes na produção nacional, tiveram a produtividade afetada por seca. Já Mato Grosso, Paraná e Mato Grosso do Sul, que pareciam ter problemas no início da safra, estão com bom desempenho. A produção total do país, na soma das safras de verão e de inverno, deve ficar abaixo dos 139 milhões previstos anteriormente.

O consumo interno aumenta neste ano, principalmente pela alta no uso de milho na indústria de etanol, mas as exportações sofrem forte concorrência externa, ficando mais produto no mercado interno, segundo avaliação de Daniele Siqueira, analista da AgRural. “A exportação do país só engrena no segundo semestre, mas a competição dos Estados Unidos e da Argentina é muito pesada.” Se for mantida, o Brasil fica mais para venda externa de 40 milhões de toneladas do que de 46 milhões estimados pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), diz a analista.

Esse é o cenário apresentado até agora, diante das produções recordes dos Estados Unidos e da Argentina na safra 2025/26. Os americanos produziram 432 milhões de toneladas, e os argentinos, 64 milhões. Daniele alerta, no entanto, para a onda de calor na Europa, o que pode diminuir a produtividade e reduzir a produção por lá, o que não é improvável. A Ucrânia está terminando de plantar agora, diz ela.

Além do volume maior, os americanos têm preços mais competitivos. Eles contam com uma estrutura maior para a exportação de milho, uma vez que as vendas externas de soja para a China foram reduzidas após a colheita, devido à aplicação mútua de tarifas entre americanos e chineses. Com isso, o prêmio de exportação caiu para o milho dos EUA, tornando-o ainda mais competitivo. Os americanos vão terminar o ano comercial, que vai até 31 de agosto, com o recorde de 84 milhões de toneladas exportadas.

Os argentinos, com um terço da safra colhida, devem levar 64 milhões de toneladas para os armazéns, bem acima dos 49 milhões do ano passado, segundo estimativas da Bolsa de Cereais de Buenos Aires. Com um mercado interno pequeno, a Argentina coloca um volume grande do cereal no mercado externo. “O Brasil vem com uma safra relativamente boa e quantidade para exportar, mas se depara com essa concorrência de fora”, diz Daniele.

O consumo de milho para a produção de etanol sobe para 28,4 milhões de toneladas neste ano no Brasil, segundo a Datagro. Esse volume é 39% acima do anterior. Nos Estados Unidos, os produtores esperam a aprovação da mistura de 15% para ampliar mercado, mas será um processo demorado. Os postos do país não estão adaptados à distribuição desse combustível, à exceção de parte dos do Meio-Oeste, e o consumo de gasolina vem caindo. Tanto que o Usda (Departamento de Agricultura dos EUA) indica que as usinas de etanol vêm utilizando anualmente 142 milhões de toneladas de milho há vários anos, diz a analista.



Fonte ==> Folha SP

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