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A fragilidade do primeiro-ministro alemão – 06/05/2025 – Opinião

Um homem com cabelo ralo e óculos, vestindo um terno preto e uma camisa branca com uma gravata azul, está caminhando em um ambiente interno. Ele parece estar olhando para baixo, com uma expressão séria. Ao fundo, há cadeiras azuis iluminadas.

O conservador Friedrich Merz assumiu entre solavancos inesperados o posto de primeiro-ministro da Alemanha nesta terça (6), em ambiente de franca incerteza sobre a lealdade da coalizão parlamentar que sustentará seu governo.

O quadro seria, por si só, desafiador para qualquer chefe de governo. A agenda de Merz inclui reverter um quadro recessivo que já dura dois anos na maior potência econômica do continente, tornar seu país pilar da defesa da União Europeia e, não menos importante, afastar os riscos de ascensão da ultradireita.

Seu começo não foi nada bom. Vitorioso nas eleições parlamentares de fevereiro, o líder da União Democrática Cristã (CDU) passou à história como o primeiro postulante a chefe de governo derrotado em sua confirmação pelo Bundestag, o Parlamento federal, desde o pós-guerra.

O que seria um ato protocolar, com exigência de maioria simples em votação secreta, converteu-se em exibição da fragilidade da coalizão costurada pela CDU com a também conservadora CSU e o SPD, a centro-esquerda do agora ex-primeiro-ministro Olaf Sholz.

Seis parlamentares desta que será a base legislativa do governo Merz impediram sua imediata aclamação. Houve necessidade de um segundo turno, que o confirmou por 325 votos. Não obstante, dado o universo de 328 deputados da coalizão, três escapuliram do aval ao novo premiê.

Merz tomou posse diante do presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, no mesmo dia. Nesta quarta (7), embarca para Paris e Varsóvia para discutir a guerra na Ucrânia e a defesa da União Europeia ante a Rússia, em tempos de improvável suporte dos Estados Unidos de Donald Trump.

O primeiro-ministro provou-se incansável na formatação da aliança do centro-democrático alemão, com considerável ajuda de Sholz. Consolidá-la e estendê-la, entretanto, será decisivo neste momento em que a Alternativa para a Alemanha (AfD), classificada oficialmente como legenda de extrema direita, dispõe da segunda maior bancada no Bundestag.

Sem surpresa, lideranças da AfD alardearam o mergulho do país em instabilidade política após as duas votações. Obviamente, não chega a tanto.

O premiê assumiu com o aval prévio do Bundestag à flexibilização do regime de austeridade fiscal. Seus passos seguintes serão o reforço dos gastos com defesa e a injeção de € 500 bilhões na recuperação da infraestrutura.

O que prevalece agora é a dúvida sobre o real apoio legislativo para que Merz seja capaz de levar adiante sua agenda complexa.

editoriais@grupofolha.com.br



Fonte ==> Folha SP

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