Search
Close this search box.
Search
Close this search box.

A reforma tributária vai elevar a carga de impostos? – 28/05/2026 – Bráulio Borges

Impostômetro digital exibe valor acumulado de impostos em fachada de prédio antigo. Ciclista com mochila vermelha pedala na ciclovia em primeiro plano, com edifícios residenciais ao fundo.

Uma pesquisa da Deloitte publicada nesta semana apontou que 51% das empresas sondadas avaliam que a reforma tributária (EC 132/2023) irá elevar carga sobre seus produtos, o que pode gerar repasse aos preços ou redução de margem de lucro. Trata-se de um percentual que chama a atenção, ainda mais quando se leva em conta que a reforma definiu mecanismos para manter a carga tributária agregada em níveis semelhantes aos atuais.

Como argumentei em minha coluna da semana passada, há, em diversos segmentos, compreensão ainda parcial sobre o que de fato mudará entre 2026 e 2032. E boa parte da percepção de alta da carga tributária decorre menos das regras do novo sistema e mais do modo como as empresas estão avaliando o impacto de todas as mudanças trazidas por essa reforma.

O erro mais comum é tomar a alíquota nominal de referência –que deverá ficar entre 28% e 28,5% somando CBS e IBS, acrescida do Imposto Seletivo em alguns produtos e reduzida parcialmente ou plenamente em outros produtos— como sinônimo de carga efetiva. Não é.

O novo sistema é um IVA com crédito financeiro pleno: as empresas abaterão, do que têm a recolher, o IBS e a CBS embutidos em tudo aquilo que compraram de fornecedores que emitiram nota fiscal. Insumos, serviços, energia, aluguel, máquinas, frota, software —tudo gera crédito.

Vale lembrar que, no sistema atualmente em vigor, PIS/Cofins têm regras de creditamento contestadas em milhares de processos, o ICMS comporta restrições estaduais infindáveis e o ISS é cumulativo (ou seja, não recuperável).

A alíquota de 28% sobre o valor adicionado do novo sistema é, em boa parte dos casos, menor que a soma das alíquotas hoje praticadas sobre o valor bruto em cada elo da cadeia. Quando a empresa simula apenas o novo débito e “esquece” o crédito, projeta alta onde, com frequência, haverá redução ou estabilidade.

Há um segundo efeito menos óbvio. Como o crédito passa a ser amplo e desvinculado da origem geográfica do insumo, desaparece o incentivo histórico à verticalização defensiva —produzir internamente para fugir da cumulatividade. A consequência esperada com o novo sistema é uma reorganização das cadeias em direção a mais especialização e terceirização eficiente, com ganhos de produtividade e redução de custos.

A construção civil é um ótimo exemplo: o setor convive hoje com tributação errática sobre o canteiro de obras e desincentivos ao uso de pré-fabricados, cuja cadeia paga ICMS difícil de creditar. Com o IBS/CBS, estruturas, painéis e módulos pré-fabricados gerarão crédito integral, viabilizando obras mais rápidas, com menos desperdício de materiais. O ganho não aparece em planilha tributária estática; aparece no custo total da obra.

Vale desfazer um terceiro mal-entendido, mais grave porque atinge milhões de pequenos e médios negócios. Para optantes do Simples Nacional, nada muda compulsoriamente: o regime segue intacto, com a mesma tabela unificada. A novidade é que essas empresas poderão, se quiserem, destacar IBS e CBS em suas notas —o que permite a seus clientes tomar crédito—, recolhendo esses tributos por fora do Simples.

Nada disso significa que a transição será trivial. Haverá pressão sobre o capital de giro durante a coexistência dos sistemas, e setores intensivos em mão de obra e pouco intensivos em insumos creditáveis —serviços profissionais, sobretudo— tendem mesmo a ter algum aumento de carga, ainda que mitigado pelas alíquotas reduzidas.

Mas confundir essa heterogeneidade com alta generalizada é simplesmente equivocado. Cabe ao governo, às entidades setoriais e aos consultores traduzir a percepção captada pela pesquisa da Deloitte em simulações que incluam o lado do crédito —não apenas o do débito— e, ainda, os potenciais ganhos de produtividade e redução de custos propiciados pelo novo sistema.



Fonte ==> Folha SP

Relacionados

Principais notícias

O novo mapa do ensino jurídico em São Paulo
Ivan Baptista defende valorização da segurança pública e apresenta propostas voltadas aos servidores e à redução da desigualdade social no Rio de Janeiro
Alien Summit Campinas chega à 6ª edição reunindo pesquisadores da Ufologia Científica e Expansão da Consciência

Leia mais

'Minha filha me ensinou que cuidar também é ato de coragem', diz Henrique Fogaça
Ana Paula Renault faz reflexão sobre paternidade presente e se emociona no Dia dos Pais
Santos usa embalo de vaga na Copa do Brasil para reagir no Brasileirão contra o Athletico-PR
Santos usa embalo de vaga na Copa do Brasil para reagir no Brasileirão contra o Athletico-PR
'Ela só quer aparecer', declara Xuxa sobre críticas de Mara Maravilha
Fãs resgatam ensaio nu de Mara Maravilha em meio a treta com Xuxa
Lei Maria da Penha completa 20 anos como marco no combate à violência
Lei Maria da Penha completa 20 anos como marco no combate à violência
Figo detona Infantino e pede saída imediata: “Tem que sair. Já”
FIFA admite erros, mas reafirma apoio a Infantino após reunião
Cuca festeja presença do Santos em três competições: 'Tenho orgulho de fazer parte deste grupo'
Salah chega à Turquia e veste camisa do Trabzonspor antes de exames