Search
Close this search box.
Search
Close this search box.

Aprovar PEC é só a etapa mais fácil na segurança pública – 04/11/2026 – Opinião

Plenário de assembleia com parlamentares sentados em bancos curvos de madeira e couro azul. Mesa diretora com cinco pessoas ao fundo, duas telas exibem orador. Ambiente formal com iluminação focada e bandeiras brasileiras nas laterais.

Aprovada por unanimidade pelo Senado na terça-feira (3), a chamada PEC da Segurança Pública surgiu da necessidade do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de apresentar providências para o setor, principal preocupação de 20% dos brasileiros, segundo o Datafolha. A mudança constitucional, no entanto, é apenas a etapa mais fácil.

O texto tem objetivos meritórios. Inscreve na Carta o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), já existente na lei, na expectativa de que assim se leve a cabo a desejada integração de esforços entre União, estados e municípios. Prevê forças-tarefa, integração de sistemas e compartilhamento de informações, protege os fundos do setor contra bloqueios e destina a ele parte do superávit do Fundo Social.

Dá tratamento diferenciado às organizações criminosas de alta periculosidade e permite confiscar bens e responsabilizar as empresas por elas usadas, de fachada ou não. Até aqui, a Constituição só previa com clareza a responsabilidade penal da pessoa jurídica em crimes ambientais.

Ao criar o Sistema de Políticas Penais, a PEC trata o cárcere, berço das maiores facções, como peça estratégica: a inteligência ali produzida deve subsidiar toda a política de segurança. As críticas que apontam riscos a garantias individuais precisam de resposta na regulamentação, com proporcionalidade e controle judicial.

Mas o país conhece o roteiro. Leis não faltam: há a das organizações criminosas, de 2013, a do Susp, de 2018, e a Antifacção, deste ano. O que falta são planos e execução. Polícias, Ministérios Públicos, órgãos de controle e sistema prisional tratam informação como patrimônio corporativo e se fecham em copas, enquanto o crime opera em rede.

Uma pergunta decisiva é quem poderá liderar um plano para a segurança, ainda mais num contexto em que o presidente da República e os governadores dos principais estados são de campos políticos opostos e divergem em propostas para o setor.

Enquanto a esquerda nunca deu maior prioridade a ele, a direita abraçou bandeiras populistas de alto apelo eleitoral e baixa eficácia potencial —como redução da maioridade penal, que felizmente ficou fora da PEC, endurecimento de penas e, nos piores casos, brutalidade policial.

O crime organizado ignora ideologias. A agenda exige pragmatismo, dados, integração, metas verificáveis e continuidade além de mandatos, com independência diante das corporações e consciência da gravidade do problema. As diretrizes estão dadas; resta colocá-las em prática.

editoriais@grupofolha.com.br



Fonte ==> Folha SP

Relacionados

Principais notícias

Na linha de frente da mobilização digital: Edmilson Mendes atuou pela reeleição de Lula no Pará
Jornalista denuncia perseguição e diz viver escalada de pressão após críticas ao poder público em Barcarena
The New York Times elenca as 100 melhores séries do século 21

Leia mais

O que é rabdomiólise, que causou a morte de jovem de 24 anos em maratona
O que é rabdomiólise, que causou a morte de jovem de 24 anos em maratona
Senado aprova PEC da Segurança, que amplia atuação federal na área
Senado aprova PEC da Segurança, que amplia atuação federal na área
Venda de água no CE ocorre com escolta policial após ameaças a comerciantes atribuídas a facção
Mulher atingida por cabo de alta tensão em SP está em estado grave
Estudantes fazem ato em 9 estados contra Flávio Bolsonaro e de apoio à reeleição de Lula
PT trava disputa interna e abre debate sobre futuro do partido no pós-Lula
Mulher tem parada cardiorrespiratória após ser atingida por cabo de alta tensão em SP
Incêndio de grandes proporções atinge área de proteção ambiental em Santarém, no Pará
Notícias ao Minuto
PS5 ganha controles DualSense transparentes em três novas cores para 2027