A principal dúvida de Carlo Ancelotti foi resolvida na partida contra a Croácia. Antes, Vinicius Junior jogava no centro do ataque porque, pela esquerda, sua melhor posição, teria de voltar para marcar. Ancelotti escalou um centroavante (João Pedro), deixou Vini pela esquerda, sem precisar recuar para defender, e mudou a posição de Matheus Cunha.
Em vez de ser um meia centralizado e avançado, Matheus jogou no meio-campo, marcando pela esquerda e formando um trio com Casemiro e Danilo Santos. Matheus Cunha tem jogado dessa maneira no Manchester United. Com isso, Vini ficou livre no ataque. Não são mais quatro atacantes. São três no meio-campo e três no ataque. Matheus Cunha tem outra grande qualidade, o jogo solidário.
Um dos momentos de que mais gosto da Copa do Mundo de 1970 é o quarto gol do Brasil contra a Itália. Eu, que era um centroavante, desarmei o adversário na lateral do nosso campo, e a partir daí começou a troca de passes que resultou no gol de Carlos Alberto. Antes de Pelé dar o passe para o lateral finalizar, eu já estava na minha posição, a de centroavante, gritando para Pelé e mostrando com a mão que Carlos Alberto estava livre. É um dos lances coletivos mais destacados e bonitos da história do futebol.
Ancelotti resolveu uma dúvida importante e arrumou outra. Com a volta de Raphinha, onde ele vai jogar? Ele não tem características para fazer a mesma função de Matheus Cunha nem é um centroavante. Ele terá de jogar pela direita no lugar de Luiz Henrique ou Estêvão. Raphinha joga da direita para o centro, enquanto Luiz Henrique e Estêvão são pontas, rápidos e dribladores.
Outra dúvida surgiu após o jogo contra a Croácia. Ancelotti deve estar convencido de que Endrick não é jogador para a Copa de 2030. É para agora. Sempre que entra, joga bem. No mínimo, será uma ótima opção, ainda mais que ele, com sua incrível velocidade, potencializa a principal qualidade do time, as jogadas rápidas de contra-ataque em direção ao gol.
O meio-campista Danilo Santos deve ter conquistado um lugar no Mundial. Ele une muita força física e velocidade para defender e atacar. Porém dizer que ele deveria ser o titular no lugar de Bruno Guimarães por causa de um bom jogo e de um gol é uma opinião apressada, habitual no futebol brasileiro.
Ancelotti tem outras dúvidas. O único jogador anunciado por ele no Mundial é Danilo, reserva do Flamengo. O técnico disse que ele será o substituto dos oito defensores (quatro zagueiros e quatro laterais). Parece estranho, mas não é. Ancelotti já disse gostar muito do seu comportamento. Danilo é mais que um experiente e bom jogador. Ele é um líder, um representante ético e coletivo do grupo.
Absurdos foram os insultos racistas vindos da arquibancada contra os muçulmanos de parte da torcida da Espanha no amistoso contra o Egito. Pior, o maior craque da Espanha é muçulmano, Lamine Yamal. Ele classificou os gritos como intoleráveis. Manifestações racistas e homofóbicas estão a cada dia mais presentes nos estádios de futebol. O ser humano não piorou. Ele apenas tem hoje mais espaço para demonstrar suas idiotices e preconceitos. Perderam a consciência crítica interna. Não há mais limites.
Fonte ==> Folha SP