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Eleições em Israel expõem as cicatrizes do 7 de Outubro – 29/10/2026 – Opinião

Homem de terno escuro e gravata vermelha fala em microfone diante de fundo azul com grandes letras brancas em hebraico.

Evento central na história israelense, o ataque terrorista do grupo palestino Hamas em 7 de outubro de 2023 não apenas segue moldando a mutação do Oriente Médio, mas também impacta a vida política do Estado judeu.

As cicatrizes da ação, que levou o governo do controverso Binyamin Netanyahu a lançar uma guerra em frentes diversas e resultados díspares, ficaram evidentes no primeiro pleito parlamentar do país desde o atentado.

Realizada na terça (27) e com a contagem dos votos quase totalizada nesta quinta (29), a eleição mostra um Israel cindido. De um lado, Netanyahu e sua coalizão radical de nacionalistas e religiosos somam 53 dos 120 assentos do Parlamento. Do outro, 48 deputados eleitos pelo bloco de oposição liderado pelo ex-chefe das Forças Armadas Gadi Eisenkot.

O atual governo encolheu sua representação, que era de majoritárias 68 cadeiras, mas teve um apoio maior do que supunham rivais e analistas. A aposta era no fastio com a sucessão de guerras disparadas por Netanyahu após o fracasso de inteligência em prevenir o 7 de Outubro.

A Faixa de Gaza foi destruída, o sul do Líbano está ocupado e a guerra com o Irã está aparentemente prestes a ser retomada ao lado de Donald Trump.

As urnas mostram que ainda há apoio significativo à noção de segurança pela força esposada por Netanyahu, mesmo que ela dependa de tensão permanente e possa se mostrar insustentável.

Entre governo e oposição, surgiu uma novidade decorrente do comparecimento de 77,7% dos eleitores, o maior desde 1999. Os marginalizados partidos árabes tiveram o melhor desempenho da história, com 19 deputados. O segmento representa 20% dos 10,3 milhões de israelenses.

O peso daria ao bloco, na teoria, o papel de fiel da balança. Mas nenhum dos lados majoritários aceita trabalhar com os árabes, cientes da desconfiança no conjunto judeu da população.

Netanyahu foi além, apelando ao racismo usual de seu grupo, e acusou sem base os árabes de fraudar a eleição e disseminar a pregação pelo fim do Estado judeu —que sempre se orgulhou da diversidade no Legislativo.

O presidente Isaac Herzog agora irá escolher um líder para tentar formar o governo, presumivelmente Netanyahu, que permanece na cadeira no processo. Como não deve ter sucesso no prazo legal de 42 dias, a chance poderá ser dada a Eisenkot, sem muita probabilidade de êxito.

O impasse deverá levar a uma nova eleição. Nada indica, entretanto, um fim da divisão do país.

editoriais@grupofolha.com.br



Fonte ==> Folha SP

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