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Livro mostra diferenças entre o primeiro e o segundo mandatos de Trump – 01/08/2026 – Hélio Schwartsman

Livro mostra diferenças entre o primeiro e o segundo mandatos de Trump - 01/08/2026 - Hélio Schwartsman

Terráqueos razoáveis, incluindo políticos e eleitores republicanos, se preocupam com o que Donald Trump pode causar ao planeta. Ele detém enorme poderio militar e econômico e vem dando repetidas mostras de que não age de acordo com as regras estabelecidas. Pior, coloca seus interesses pessoais acima de qualquer outra coisa e não parece autolimitar-se por considerações morais.

A maioria de nós se informa sobre o governo Trump de forma fragmentada. Um dia lemos a notícia de que ele decretou uma medida absurda contra as universidades, duas semanas depois ficamos sabendo que ele está fazendo coisas horríveis com imigrantes ilegais e nem sempre recebemos informações sobre como terminou cada capítulo.

“Regime Change”, de Maggie Haberman e Jonathan Swan, resolve o problema da fragmentação. Mas, ao nos ministrar doses concentradas de trumpismo, compõe um quadro muito mais assustador da administração. Se, no primeiro mandato, tínhamos um presidente ignorante e caprichoso que era de algum modo contido por assessores com expertise em suas áreas, agora, no segundo, temos um presidente igualmente ignorante e caprichoso, mas muito mais rancoroso e cercado por auxiliares que tentam antecipar seus desejos e implementá-los.

Haberman e Swan são repórteres do New York Times. Respiram a administração Trump. Apesar das rusgas entre o jornal e a Casa Branca, têm bastante acesso ao staff presidencial. Como a maioria das cortes, a gestão é uma rede de intrigas, onde um tenta puxar o tapete do outro, o que facilita a exposição de informações relevantes. De vez em quando, a dupla fala com o próprio Trump.

Um dos vários insights interessantes do livro é o de que a derrota do Agente Laranja em 2020 e o hiato de poder a que ele foi submetido fomentaram sua radicalização. Se ele tivesse vencido aquele pleito, muito possivelmente teria seguido a trajetória de impopularidade crescente em que se encontrava e terminado o segundo mandato como um presidente menor. Os deuses da história podem ser perversos.



Fonte ==> Folha SP

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