O ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, classificou como “insustentável” a expansão de programas sociais promovida pelo governo do presidente Lula (PT). Para o economista, é necessário que haja uma “visão estruturante” para controlar os gastos públicos, além de maior rigor na observância do arcabouço fiscal. A avaliação ocorreu nesta terça-feira (17), durante o Global Invest Day, evento promovido pela fintech Nomad.
“Qualquer gasto fiscal fora do teto resolve o problema do governo formal e das suas condições, mas não leva o país aos seus efeitos referentes ao aumento da dívida pública. Não é possível driblar a lei da economia. O gasto além da conta gera aumento da dívida, inflação e juros mais altos”, apontou Meirelles.
Em 2019, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), os gastos nominais com assistência social somavam R$ 92,8 bilhões. A dívida pública, no mesmo ano, encerrou em R$ 4,24 trilhões. Já em 2025, a mesma despesa saltou 207,9%, passando a R$ 285,8 bilhões. A dívida pública também subiu, passando para R$ 8,65 trilhões.
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A produção de riquezas do país também subiu: se em 2019 o Produto Interno Bruto (PIB) somou R$ 7,4 trilhões, em 2025 o valor foi de R$ 12,7 trilhões. A composição mudou, com alta no setor agropecuário impulsionada por um recorde na safra.
“Óbvio que o Brasil precisa de programas sociais, mas tivemos expansão muito pronunciada desses gastos, e isto é insustentável”, defendeu Meirelles. Para o economista, a alta no PIB foi impulsionada pelo aumento na dívida pública, o que demanda um reposicionamento do Estado na economia, com o objetivo de tornar o crescimento sustentável.
Lula substituiu o teto de gastos, instituído pelo ex-presidente Michel Temer (MDB), pelo arcabouço fiscal. A nova regra é mais flexível do que a anterior, que limitava o crescimento da despesa pública à alta na inflação. Agora, o governo pode subir a conta em até 2,5%. Este arcabouço também possui “buracos”, uma lista de despesas que ficam de fora do cálculo, como os repasses para o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) e, por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), as receitas próprias do Judiciário.
Fonte ==> UOL